terça-feira, julho 25, 2017

Censura: a contribuição da Ditadura Militar para o Metal pesado brasileiro.

Você sabia que o primeiro disco de Heavy Metal lançado no Brasil foi obrigado pelo Governo de Exceção a mudar as letras de diversas de suas músicas para poder ser lançado? O assunto da censura ao Hard Rock, Heavy Metal e Punk Rock durante os anos de atividade DCDP (Departamente de Censura às Diversões Públicas), um filhote do AI-5 (1968), foi assunto da oitava edição do Canal Rock Dissidente no Programa Combate, sendo exibida em 23/07/2017.

A gravação foi disponibilizada no link abaixo:



No ar desde 2001, o Programa Combate é transmitido pela rádio Melodia FM, 102,3 desde Varginha para mais de cinquenta municípios do Sul de Minas Gerais, sendo o mais antigo periódico radiofônico voltado ao Heavy Metal da região. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.

O mesmo pode ser ouvido, ao vivo, de qualquer ponto do universo conhecido pelo link http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/ e depois as gravações do Rock Dissidente são disponibilizadas no youtube.



Durante a edição que focada na falta de liberdade de expressão de 1972 a 1988 foram transmitidas músicas PROIBIDAS pela ditadura militar e também apresentado um levantamento do artistas nacionais de Rock Pesado cuja obra foi prejudicada pelo governo golpista. Entre os quais constam: STREES, AZUL LIMÃO, MX, HERVA DOCE, ROBERTINHO DE RECIFE, INOCENTES, PLEBE RUDE, MADE IN BRAZIL, GAROTOS DA RUA, SERGUEI e CAPITAL INICIAL.



Canal Rock Dissidente no Programa Combate:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Apresentação: Willba Dissidente.
Produção e filmagem: André "Detonator" Biscaro.
Técnico de som: Adilson.

Sites relacionados:

https://www.facebook.com/combatefm/
http://rockdissidente.blogspot.com.br/

quarta-feira, junho 07, 2017

Antes do New Metal: artistas de Rock / Metal que gravaram Rap.

Foi em 11 agosto de 1973 que Kool Herc, um DJ jamaicano radicado em Nova York, introduziu o RAP nos Estados Unidos da América; posteriormente o divulgando para o mundo. Palavra que é uma gíria inglesa para "conversar" o RAP é definido por um dialogo, um discurso, que o MC (mestre de cerimônias) faz sobre uma batida de bateria com baixo. Originalmente das festas jamaicanas dos anos sessenta, o RAP surge com críticas políticas de esquerda contando da vida das pessoas da periferia. Ganhando cada vez mais espaço na mídia, o RAP foi aumentando de popularidade, e seu estilo "fácil de copiar" começou a ser assimilado pelo Rock ainda na primeira metade dos anos 1980.




À principio, o RAP chega no Rock já sem as críticas sociais ou apresentando as condições de vida das pessoas na periferia, totalmente fora da cultura Hip Hop. Ele aparece "em sua forma pura, leve, inofensiva" só como um discurso rimado sobre uma base musical; que aqui, além do baixo e da bateria, inclui a guitarra. O ANTHRAX foi o pioneiro a incluir um DJ fazendo os sons de um disco indo e voltando, com um cover do PUBLIC ENEMY em 1991. Esse foi um estopim para que em 1992 o KORN apresentasse o Nu Metal, que junta todas as características anteriores com afinação mais baixa dos instrumento de corda, inexistência ou poucos solos de guitarra e ritmos quebrados baseados no Groove Metal do PANTERA / SEPULTURA. Nesse mesmo ano o BODY COUNT lança seu primeiro álbum, e até onde entendemos, o primeiro disco de Thrash Metal com Rap em todas as faixas. Começa o festival OzzFest e a mídia, a MTV e as grandes gravadoras, à partir de 1998, já trocam o Grunge por bandas como SYSTEM OF A DOWN ,GODSMACK, LIMP BIZKIT etc.



Quando os tubarões das grandes corporações abocanham esse filão musical e começam a impor que a essa é a "nova ordem" a originalidade e a qualidade caem por terra. Nesse contexto surge também o RAGE AGANIST THE MACHINE, usando muito elementos do RAP e mantendo as críticas sociais de esquerda, mas sem ser exatamente New Metal; mas já muito diferente do Heavy Hard para entrar na nossa listagem. Vamos recordar então como começou a inserção do RAP ao Hard Rock e ao Heavy Metal.  Essa dissidência, apresentada exclusivamente pelo Rock Dissidente, visa os croosovers,  quando rockers fizeram Rap. Boa viagem!

01 . MANOWAR (1984) "All Man Play on Ten".



Difícil de acreditar que a banda que mais louva o Metal, o verdadeiro Metal, não misturado, que posteriormente faria músicas para Thor e outras mitologias nórdicas, que dedicou disco em homenagem a Inglaterra, nada mais distante que a oprimida juventude jamaicana, seja a PRIMEIRA a juntar o Rap com o Heavy Metal!

A música foi lançada em 1984, no disco "Sign of The Hammer". Ainda lançada como single, junto com "Mountains", a música desapareceu dos shows e demais registros da quarteto.

02 . AEROSMITH & RUN D.M.C. (1986) "Walk This Way".



A parceria que abriu caminho para crossovers entre Rock e Rap, além de mostrar ao público que a junção podia vender muito, foi tramada pelo produtor Rick Rubin. O AEROSMITH estava decadente, enquanto o RUN DMC se tornava o maior grupo de Rap estadunidense como seu segundo disco "King of the Rock", de 1985.

Joey Perry já conhecia o RUN DMC pois seu filho era fã da banda e ficou entusiasmado com o convite do produtor de fazer um remake  do sétimo single do AEROSMITH, lançado originalmente em 1975. Já os rappers não gostaram nada dessa ideia e protestaram veementemente contra ela. Não a queriam no seu próximo disco ou como single. Todavia, as novas letras e a mudanças pequenas no ritmo, junto com o video clipe da MTV, provaram ser uma das mais bem sucedidas decisões da indústria fonográfica, com a música chegando ao quarto lugar das paradas de sucesso naquele verão de 1986; ainda com a desconfiança do RUN DMC.

03 . JOAN JETT (1986) "Black Leather".



Atriz, feminista e vegetariana, a rocker JOAN JETT também foi a primeira mulher a misturar Rock pesado com Rap. Tal amalgama se deu em no seu quinto disco pós- THE RUNNAWAYS chamado "Good Music". O Rap de Jett fala da mulher se vestir como ela bem entender; que no caso é de Couro Preto.

04 . KING KOBRA (1986) "Home Street Home".



Após o sucesso do AEROSMITH, vieram alguns oportunismos. Alguns deles, difíceis de compreender. É o caso do segundo disco do King Kobra; de Hard 'n' Heavy vigoroso para um LP de A.O.R. com uns Hards mais pesados no final e esse Rap, cuja participação especial é sequer citada no encarte do disco. Desnecessário dizer, esse é o som que o próprio grupo mais menosprezou em sua carreira.

05 . ANTHRAX (1987) "I'm The Man".



Após o S.O.D., sempre buscando inovar, Scott Ian e Charlie Benante resolveram compor um RAP contando a história do ANTHRAX. Isso alegrou a galera do PUBLIC ENEMY, e, indo na maré contrária do que aconteceu com o AEROSMITH (em que o próprio RUN D.M.C. foi contra a inclusão do RAP no disco), o rappers do PUBLIC ENEMY já haviam notado que o guitarrista Scott Ian usava um boné com o logo da banda deles e resolveu homenagear o ANTHRAX os citando na canção "Bring The Noise", lançada em 1987. Quatro anos depois, os dois grupos fizeram um crossover remake da canção, que fez muito sucesso.

06 . KISS (1988) "Read My Body".



Um grupo que fala de festa, amizades, desventuras e aventuras românticas. O KISS nada tinha a ver com o RAP, porém, em 1988, talvez, animado pelo sucesso do AEROSMITH, resolveram fazer o canto da canção do disco "Hot in the Shade" no estilo RAP. O som não entrou na turnê do disco, nem nas coletâneas e acabou relegado à memórias dos fãs mais fervorosos. E uma memória não muito comemorada.

07 . METAL CHURCH (1988) "Iron Man".



Em seu primeiro álbum, chamado "Swass", o rapper Anthony Ray, mais conhecido pelo nome artístico de SIR MIX-A-LOT chamou os thrashers do METAL CHURCH para fazer um rap em cima de uma cover para "Iron Man" do BLACK SABBATH. A banda gravou o instrumental com o então novo vocalista Mike Howe gritando o título da canção. Ainda que não tenha entrado no  "Bleeding is Disguise", a parceria ainda rendeu um single. Diferente de todos os outros aqui, exceto pela JOAN JETT, a letra da canção é crítica.

08 . STRAIGHT WAY (1989) "Don't Even Swerve".



Essa á a única banda de White Metal em nossa listagem. Com menos de dois minutos, essa é um rap contando a estória de Jesus. Vestindo-se de preto e branco e com nítidas influências de STRYPER, a banda texana só durou esse EP.

09 . FAITH NO MORE (1990) "Epic".



O Rap mais famoso do Rock'n'Roll / Heavy Metal foi um single do terceiro disco da banda, chamado de "The Real Thing". Essa foi a estréia do vocalista Mike Patton que vinha de uma banda que gostava de misturar todos os estilos ao tal Heavy Metal, criando um subgênero chamado  Metal Alternativo ou Funk 'o Metal. Diferente dos outros artistas citados na lista, em que o RAP apareceu como uma experiência a ser abandonada, no caso do FAITH NO MORE e da carreira solo de seu vocalista, misturar tantos estilos quando possível é o mote do som. E os anos noventa foram marcados pelas gravadoras incentivando o Rock ser misturado com outros estilos, criando um comercialismo como nunca antes imaginado!

10 . VOLKANA (1990) "War? Where my Enemy Lies".


Presença brasileira na lista. Formada em Brasília na época do FLAMMEA, a banda de Thrash Metal se mudou para São Paulo e com o baterista do VODU registrou seus discos. O primeiro deles, First, consta duas passagens de RAP em português, feitas pelos MC Thaíde e DJ Hum, na música "War? Where My Enemy Lies". A cacofônica introdução, "Scrach Noise", da caótica música imita o barulho de um disco indo e vindo. Esse é um dos sons mais bem sucedidos da VOLKANA, sendo tocado em todos os shows.

11 . DANGER DANGER (1991) "Yeah, You want it".



Uma brincadeira que encerra o segundo disco de estúdio do quinteto estadunidense de Hard Rock DANGER DANGER. A canção  também se tornou totalmente esquecível, quase nem tendo elementos de Rock, ainda mais no disco que contém um dos maiores sucessos do grupo "Beat the Bullet".

12 . TUFF (2000) "American Hair Band".




Em uma homenagem às bandas dos anos 1980, o TUFF, em 2000, gravou um Rap sob base de "Sad But True" do METALLICA; algo como o METAL CHURCH fizera 12 anos antes. "American Hair Band" foi gravada no começo da explosão do New Metal, numa época que as bandas de Metal passaram a rejeitar e hostilizar o RAP por causa da concorrência com o New Metal e, até onde nos consta, é a última canção registrada nesse estilo que não seja Nu Metal.

O Rap, quando aparece associado ao Rock, salvo raras e honrosas exceções, perde o seu lado crítico, se tornando meramente um meio estético de fácil assimilação e, doravante, muito potencial comercial. Ele se torna o HIP HOP sem a crítica, inofensivo, que pode ser tocado numa festa burguesa sem ofender o sistema; e contestar, questionar e criticar o sistema estão na gênese tanto do RAP quanto do ROCK.

Você conhece mais canções de Rock, anteriores ao New Metal, que possuem RAP? Use o espaço abaixo de comentários para deixar o seu recado; afinal, dar voz ao povo é a prioridade inicial do RAP e do Rock.

Willba agradece a Anny Tysondog  e a Marcelo Lamoglia.
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quinta-feira, junho 01, 2017

Jesse Navarro: "banger de direita transforma o movimento em lixo; mas reciclável".

"JUDAS PRIEST, AC/DC, TWISTED SISTER, MÖTLEY CRÜE e MERCYFUL FATE são exemplos que fizeram a elite conservadora arrancar os cabelos e não medir esforços para censurá-los", disse o jornalista Jesse Navarro (que foi da Abril, Band, Rede TV e hoje apresenta o canal Odyssey no Youtube) , citando uma declaração do colega Bruno Silvestre no site WikiMetal. A conclusão de Navarro é que "dentro do espírito de contestação que o Rock and Roll representa, era para o metaleiro ser, por natureza, no mínimo alguém contra o estabilshment", mas não é exatamente isso que tem acontecido.

Em artigo intitulado "Quem é mais alienado: o pobre de direita ou o metaleiro de direita?" publicado em 31/05/2017 no portal Diário do Centro do Mundo, o jornalista sustenta que "headbanger alienado de direita no Brasil transforma o movimento em lixo, mas um lixo reciclável, ou seja, o cara pode abrir a mente se entender que o gênero, em sua raiz, é um movimento de protesto contra a sociedade conservadora".


A headbanger transgênro Angela Fraça durante a marcha Anti-Fascista de SP. Foto: Jesse Navarro.

No sábado, 13 de maio, o jornalista esteve na marcha Anti-Fascista de São Paulo e notou um antagonismo quando o movimento passou em frente à Galeria do Rock. Enquanto gente em frente ao referido Templo do Metal na avenida São João dava jóias à manifestação, outros diziam ser uma pena ver Headbangers com camisetas do Che Guevara, Fidel Castro etc. Haviam muitos punks, LGBTT's e headbangers no protesto que começaram a gritar "caiam na real, o Metal não é fascista" em resposta aos frequentadores da Galeria do Rock que xingavam à marcha. Tudo tão contraditório quanto Phil Anselmo (PANTERA), Dave Mustaine (MEGADETH) e Tom Araya (SLAYER), todos de bandas de Thrash Metal, cuja origem é o Punk Rock, se dizerem conservadores.

Leia aqui o artigo original:

"Nunca se esqueçam que o rock nasceu do blues, dos negros, é som de negão. Pode existir White Metal fascista, bandas que defendem a Klu Klux Klan, mas esses caras estão viajando na maionese, usando muita droga estragada e estragando um movimento que nasceu para ser de esquerda", conclui Navarro sem dar resposta a pergunta que intitula o artigo.

Com agradecimentos a Dimitri Brandi de Abreu.

terça-feira, maio 23, 2017

ROCK DISSIDENTE vira um canal de rádio!



 O Rock Dissidente agora é um canal dentro de um programa de Rádio. No ar desde 2001, sendo o segmento radiofônico de Rock / Metal mais antigo do Sul de Minas Gerais, o PROGRAMA COMBATE, transmitido de Varginha, terá um dos seus blocos com locução e apresentação de Willba Dissidente.

O intuito é diversificar o PROGRAMA COMBATE, adicionando novas vozes e ideias (dissidentes) ao periódico já tradicional. Tal como no Blog, o Rock Dissidente seguirá buscando temas incomuns, macabros, fora do padrão, mas que fazem parte do som pesado, incomodam e interessam aos Headbangers e demais ouvintes. Haverão destaques para bandas, temas e entrevistas 'on the road' de Willba enquanto mestre de cerimônias e jornalista.

Equipe do PROGRAMA COMBATE com Willba nos estúdios da MELODIA FM, de Varginha / MG.
É todo domingo, das 16 às 18, que o Rock Dissidente pegará pesado no seu rádio, transformando o PROGRAMA COMBATE numa guerra!
Ouça na Melodia FM 102,03 em toda região de Varginha, Minas Gerais, ou pelo computador, celular, tablet, facebug, nos links abaixo.


Willba gravando o canal ROCK DISSIDENTE no PROGRAMA COMBATE.

PROGRAMA COMBATE:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Produção técnica: André "Detonator" Bíscaro.
Participação Especial: Willba Dissidente

OUÇA AO VIVO:

http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/
https://www.facebook.com/combatefm/

ASSISTA DEPOIS NO YOUTUBE:

http://www.youtube.com/WillbaDissidente/
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terça-feira, abril 11, 2017

Rock In Rio I: o pior que poderia acontecer para o Metal Nacional.

"O ROCK IN RIO de 1985 foi a pior coisa que poderia acontecer para o Metal Nacional", disse ROBERTINHO DE RECIFE no documentário Brasil Heavy Metal. Mas como assim? Um festival de 10 dias numa época que shows internacionais nem existiam trazendo IRON MAIDEN, WHITESNAKE, SCORPIONS, AC/DC, OZZY OSBOURNE pela primeira vez à América o Sul, além de repetir o sucesso do QUEEN, como isso poderia ser ruim? O que o guitarrista do METAL MANIA quis dizer foi que o Rock in Rio chega ignorando tudo que já existia de Rock pesado no Brasil e apresenta o Heavy Metal para o grande público de maneira estigmatizada e sensacionalista. 

O evento foi patrocinado pela cerveja Malt 90.
Vamos entender o contexto da época. Nos anos setenta e no começo dos anos oitenta era raro artistas internacionais de Rock se apresentarem na América Latina. O motivo? Nosso povo era governado quase que exclusivamente por Ditaduras Militares financiadas pelos Estados Unidos da América, justificadas como forma de conter "o avanço comunista", na região; mas que de verdade era o método utilizado pelo governo yankee para usurpar as riquezas naturais e garantir - com apoio irrestrito de elites entreguistas - submissão dos latinos ao patrão do Norte. O mote das políticas públicas desses governos era proteger os interesses econômicos, por meio de hiper-inflação e arrocho salarial, concentração de renda, deixando os empresários e banqueiros cadas vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Esse modelo de "desenvolvimento" impossibilitava grandes investimentos em cultura, pois além da instabilidade política, a concentração de renda não permitia que o grande público pudesse ter dinheiro para pagar os ingressos. 

O primeiro show do IRON MAIDEN no Brasil foi no Rock in Rio. Foto: internet.
É nesse contexto que o Heavy Metal chega ao Brasil ainda no fim dos anos setenta e rapidamente se expande graças ao trabalho abnegado de zines, bandas e produtoras que começam uma cena underground nessas terras. O Rock pesado era underground e ignorado pela grande mídia; nos rádios, tevês e jornais. Nos anos oitenta, com a Ditadura dando sinais de abertura, a situação politica e econômica começa a estabilizar, permitindo a mais pessoas terem acesso ao Rock. Prova disso foram os shows do QUEEN em 1981, KISS e VAN HALEN em 1983; lotados e com mais gente querendo entrar e quem passava na porta não entendia o que se passava. Percebendo isso a Rede Globo, com produção do empresário Roberto Medina, resolveu investir no formato de mega festival,  pois só assim, grande e gigantesco, era possível baratear os ingressos e trazer as estrelas citadas para um grande público. E não só o festival era megalomaníaco, começando a ser divulgado em outubro de 1984, a promoção do Rock in Rio foi espalhafatosa, comparável a uma copa do mundo, quase como tornando o Rock uma moda.


Programação do evento.


Muito lembrado pelo pioneirismo e a coragem de investir quantia considerável de dinheiro e atrair público total de 1 milhão e oitocentos mil pagantes o primeiro ROCK IN RIO se tornou histórico pelo maior palco do mundo até então (5 mil metros) e também por marcar o início de grandes festivais de Rock'n'Roll no Brasil. Até então, as pessoas fora do esquema de shows pequenos, zines, bandas, não faziam ideia que existia esse tal de Heavy Metal e nem que eram tantos os seus fãs. Todavia, como mostraremos nesse artigo, o Rock in Rio chega ignorando tudo de Metal e Rock pesado que foi construído no Brasil até então, além de por meio de várias gafes e informações tendenciosas e sem cuidado da jornalístico da Rede Globo, acabou por desconstruir e deturbar o que já havia. E estamos falando de coisas mais sérias do que dizer ao SCORPIONS que índios brasileiros usam instrumentos primitivos, que "I Want to Break Free" é uma música sobre o movimento gay, Eddie - O monstro, o vocalista Brian Dickinson  e outras pérolas do jornalismo Globo (inclusive a única emissora a cobrir o evento) disponíveis no youtube....

Jake Lee e Ozzy ao vivo em 1985. Foto: internet.

01 . O termo metaleiro.

Foi numa reportagem de Leilane Neubarth que surgiu esse famigerado termo. Entre sí, no underground, os Heavies se intitulavam Headbangers. Headbanger era nome dado aos adeptos do Heavy Metal entre sí e no seu próprio meio; assim como Rock, Punk ou Metal é uma palavra cuja tradução é desnecessária. Todavia, a Rede Globo resolveu desrespeitar isso, pois uma política interna da emissora de "evitar palavras em outros idiomas" foi considerada mais importante do que as pessoas as quais eles faziam matéria. Resultado: para o grande público fã de Heavy Metal é metaleiro; público esse que só ficou sabendo que o Metal existe pela Rede Globo.

Para os Headbangers, metalúrgico é quem trabalha com metais em geral, metaleiro é um termo pejorativo, um xingamento, pois sua origem é daquelas pessoas que não entendem de Metal e não fazem parte do grupo. Assim metaleiragem, e derivados, são sinônimos de pagas paus entre os headbangers; que são tratados como Metaleiros por uma sociedade que poderia entendê-los melhor caso o maior canal de televisão do mundo tivesse feito um trabalho apropriado de jornalismo. Em boas palavras: se a Rede Globo fosse respeitosa essa abominação do "metaleiro" não existiria.

Capa de uma revista da época, com foto do vocal do IRON MAIDEN sangrando após levar uma guitarrada em "Revelations".

02 . Escrever Rock and Roll errado (Rock in Roll).

Esse foi um efeito colateral do festival, mas que também a cobertura jornalistica da "festa dos metaleiros" não se preocupou em corrigir. Já existia mídia especializada de Rock pesado no Brasil antes do Rock in Rio, como por exemplo a Revista Metal. Discos de discos nacionais já eram lançados, porém o esquema de divulgação tão massivo do massivo do ROCK IN RIO, tinha fundos e recursos antes inimagináveis. Assim o fato de o festival chamar Rock IN Rio (Rock no Rio) sugestionou as pessoas a escrever Rock in Roll (Rock no Roll) ao invés de Rock AND Roll (Rock e Rolar). Tal efeito nocivo poderia não existir se a Rede Globo tivesse buscado quem eram os zineiros e jornalistas musicais da época.

OZZY com camiseta do Flamengo, demonstrando saber mais de Brasil do que a Rede Globo sabia de HEAVY METAL.

03 . Falta de um representante nacional.

Esse é o ponto fundamental do artigo. Em janeiro de 1985 já faziam dois anos e meio que as bandas nacionais editavam de maneira independente seus discos no Brasil (o marco zero sendo o STRESS em agosto de 1982). Porém, como já citado anteriormente, o festival simplesmente ignorou isso no seu cast. Ainda que o Metal feito no Brasil carecesse de instrumentos e equipamentos de ponta, o festival simplesmente nem se importou com tudo que já existia e colocou no cast artistas de MPB, Rock Br 80 e inclusive estrelas internacionais da New Wave e Música Pop e nem sequer se cogitou em procurar mostrar ao grande público similares tupiniquins ao IRON MAIDEN, SCORPIONS, etc. Sejamos sinceros e sem querer desmerecer:, a maioria do público queria o AC/DC e não o PARALAMAS DO SUCESSO! Nem mesmo o próprio ROBERTINHO DE RECIFE, que lançara no ano anterior o LP "Metal Mania" por uma grande gravadora foi cogitado. Nem nomes da  décadas passada, mas ainda ativos como MADE IN BRASIL e PATRULHA DO ESPAÇO foram considerados. O grupo nacional mais pesado do festival era o BARÃO VERMELHO (e inclusive foi o único a não ser vaiado pelos "metaleiros")!

Muito se diz que o Rock in Rio abriu o interesse das gravadoras para o Metal Nacional. Todavia, até onde apuramos somente o STRESS conseguiu lançar disco por uma grande gravadora imediatamente após o festival. Os paraenses foram seguidos do INOX em 1986. Todavia, as gravadoras foram tão displicentes que o primeiro disco, "Flor Atômica", saiu com uma música sem voz e o segundo, "Inox", saiu com um erro de prensagem que impossibilitava que ele fosse ouvido. Demorou muito ainda para as gravadoras alavancarem o Metal Nacional, e o festival, nada fez para agilizar o processo. O Rock in Rio fez o brasileiro mediano, padrão, ver o Heavy Metal como algo pitoresco. A industria e a mídia não teve qualquer interesse de desenvolver a cena metal no Brasil. Teria sido diferente com uma banda nacional representando o nosso metal? Eis a questão!

WHITESNAKE com a "Formação Galática".

04 . Mercantilização do Rock.

Durante as duas semanas do evento vendeu-se 1.600.000 Litros de bebidas em 4 milhões de copos, 900 mil sanduíches, 500 mil fatias de pizza, o Mac Donalds entrou para o Guiness pela alta vendagem de hamburgueres... o Rock in Rio era para vender. E o Rock também se tornou um produto a ser comercializado. Por ser um produto ele perdeu suas características que o definiam nas reportagens da Rede Globo, inclusive mesclando o Metal ao New Wave!!!! É bem verdade que as Galerias do Rock em São Paulo e Belo Horizonte receberam muito mais adeptos após os festival, e que as lojas venderam mais camisetas e discos, porém também é verdade também que esse público foi se dissipando ao perceber que no underground o Rock pauleira era outro que aquele mostrado na televisão. O evento também não buscou as bandas internacionais 'novas' de Rock Pesado que faziam a cabeça dos headbangers como METALLICA e SLAYER apostando em artistas que eram supostamente "lucro garantido". Em suma, o Rock in Rio não representava o que era o Heavy Metal foras das luzes e holofotes da Rede Globo.


Imagem clássica do festival, quando o MAIDEN visitou o Rio de Janeiro.

05 . A não continuidade.

Finalizando, o Rock in Rio não teve continuidade. Nos anos seguintes as tours de nomes como VENON, EXCITER, QUIET RIOT etc que se realizaram no Brasil foram iniciativas underground, feitas por aquelas mesmas pessoas que já se esforçavam pelo Metal no Brasil antes do Rock in Rio e continuaram suas investidas independente do festival, pois o ROCK IN RIO se fez independente do que existia de Metal pesado no Brasil. "Os caras foram embora, acabou", definiu bem Rolando Castello Júnior (do AEROBLUS e diversas outras bandas já citadas).

As falhas no microfone do Bruce Dickinson, ou o AC/DC tocando Hells Bells com um sino de gesso foram ruins, mas foram o menos pior que ocorreu no Rock in Rio. Parte do público pode assistir shows internacionais que até então nunca sonhariam ser possíveis. A democracia vinha chegando no Brasil concomitantemente com o Metal ganhando espaço na mídia. Porém, o sonho se tornou pesadelo, pois o Rock in Rio estigmatizou e ridicularizou os Headbangers, não deu espaço para quem já estava na cena mostrar seu trabalho e não contribuiu para o crescimento dessa cena.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Búlgaria: grafites homenageiam Dio, Lemmy, Tarja e outros rockers célebres.


Ronnie James Dio foi muito mais quem um rocker ou um headbanger. O envolvimento mais notório do  vocalista com as causas sociais aconteceu em 1985, ao capitanear o projeto Hear an Aid para obtenção de fundos para ajudar no combate à fome na África, mas não foi o único. Na cidade litorânea de Kavarna, no Mar Negro, o ex-vocalista do BLACK SABBATH, RAINBOW, ELF etc participou ativamente numa campanha de oito anos para a libertação de enfermeiras búlgaras que estavam presas na Líbia. O povo búlgaro agradeceu ao herói, que tocou cinco vezes na cidade de 12mil habitantes, erguendo no final de 2010 uma estátua de DIO sobre pedras retiradas do fundo do Mar Negro.

 

Localizada no parque central da cidade, a ode ao "santo mergulhador", faz parte do projeto "Wall of Rock", idealizado pelo prefeito Tsonk Tsonov. Lar do festival Kavarna Rock Fest, que recebe headbangers de toda Europa no estádio da cidade anualmente desde 2006, e onde, nos três dias de evento, já tocaram ARIA, STRYPER, HELLOWEEN, UFO, MSG, TWISTED SISTER etc e o próprio DIO com o HEAVEN & HELL em 2007, o projeto visual da cidade ficou pronto em 2016.



O projeto "Wall of Rock" consistiu em matar a monotonia dos principais edifícios do centro da cidade com grafites em homenagem a rockers célebres.



Muito se fala e se diz da Europa como modelo de progresso e civilização, todavia, a iniciativa da prefeitura da cidade búlgara em incentivar o grafite e gastar com cultura é totalmente antagônica, por exemplo, com a do atual prefeito de São Paulo. Ex-apresentador de um programa de TV de baixa audiência, o milionário João Dória (que alguns acham parecido com o próprio DIO) está mobilizando 500 guardas civis e mais policiais do DEIC, implantando câmeras e TIRANDO dinheiro que seria mobilizado à educação (cortando o programa Leve Leite e ameaçando reduzir 'gastos' com material escolar e transporte dos alunos para isso) para isso.




Com quais modelos de urbanismo você acha que Ronnie James Dio se identificaria mais? Certamente, que os prefeitos brasileiros tem muito o que aprender com a administração municipal de Kavarna.

O Rock Dissidente agradece a Márcio Baraldi.
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terça-feira, janeiro 17, 2017

18 de janeiro de 2016: o dia que Rock pesado morreu.

A canção "American Pie", original de DON MCLEAN em 1971, posteriormente coverizada por outros artistas, de CHRIS DE BURGH a MADONNA, é amplamente conhecida. Não obstante conter mais de 800 palavras (citando até a biblia, Lenin e Marx), todo mundo meio que sabe do que fala o refrão da canção: do dia em que a música morreu. Ainda que atualmente o autor confidencie, com muitas ressalvas, que a música conte de uma viagem mística de si mesmo, McLean sempre foi enfático ao afirmar que a situação citada é 03 de fevereiro de 1959, quando o nosso Rock 'n' Roll, que então tinha menos de 10 anos de idade (se considerarmos Alan Freed como primeiro ao utilizar o termo como um gênero musical em 51), perdeu num acidente aéreo três músicos estadunidenses BUDDY HOLLY, THE BIG BOOPER e RITCHIE VALENS (esse filho de imigrantes mexicanos). Talvez essa tenha sido a primeira vez que um astro do Rock veio a falecer, e logo três de uma vez!

No finado ano de 2016 o Rock'n'Roll perdeu muitos artistas: DAVID BOWIE, Rick Parfitt (STATOS QUO), Mick Zane (MALICE), Keith Emerson e Greg Lake (do ELP), Jimmy Bain (RAINBOW, DIO etc), Cris Squire (YES),  ... A lista é enorme, mas o que tem sido esquecido da grande mídia é o dia 18 de janeiro de 2016 quando CINCO artistas de Rock pesado (três deles mexicanos) faleceram no mesmo dia e em situação diversas.

Vamos conhecer um pouco deles e relembrar os fatos.

Dale Griffin, do MOTT THE HOOPLE.


O baterista britânico que ficou famoso por ser membro fundador da icônica banda de Glam Rock de Ian Hunter, além de ter se dedicado à produção musical, faleceu vitima de Alzheimer enquanto dormia na madrugada de 17 (domingo) para 18 (segunda-feira) de janeiro. O música havia sido diagnosticado com a vil doença em janeiro de 2009. A banda se reuniu em outubro do mesmo ano para uma turnê comemorativa de quarenta anos com o baterista do THE PRETENDERS com Griffin subindo ao palco para tocar as músicas do bis e cumprimentar a platéia.



Logo na manhã de 18 de janeiro a notícia da morte de Griffin ganhou as manchetes. Até então não teríamos como saber, mas começava um dos mais terríveis dias para o Rock pesado.

Everardo Mujica Sánchez, El Muneco, ou Lalo Tex do Tex Tex.



Inspirado pela presença de palco de Freddie Mercury e as calças justa de Robert Plant, o ex-professor de matemático nascido num pueblo do municipio de Txcala em 1959, se tornaria um dos grandes heróis do rock mexicano desde que ganhou notoriedade na segunda metade da década de 1980. De sombreiro de visual de roça, Lalo, apelido que se tornou seu nome artístico ainda que fosse conhecido também como O Boneco (el muneco), dizia que seu trio (por muito tempo formado só por parentes) era um dos poucos grupos exclusivamente Rock'n'Roll do México, sendo que os outros seriam Metal, pop etc.



Lalo faleceu em Cidade do México um pouco antes do dia de 18 de janeiro amanhecer. O cantor, guitarrista e compositor sofreu um ataque cardíaco regressando de um concerto domingo na cidade de Chimalhuacan, não vendo a luz daquela manhã de segunda-feira. Seu falecimento chocou o México, pois desde os fãs de Elvis até os Headbangers gostavam de sua música "à la ZZ TOP".

Glenn Frey do EAGLES.



Era por volta da hora do almoço quando soubemos que aos 67 anos falecia a voz e guitarra do EAGLES. Vitima de problemas intestinais com os quais lutava havia anos, o cantor, compositor (ou co-autor em alguns casos) e guitarrista de sucessos mundiais como "Hotel California", "Headache Tonight", "Take Easy" etc faleceu pela manhã em Nova York. Frey, que também teve carreira solo de sucesso na década de 1980, vide "The Heat Goes On" etc, já havia operado em  novembro de 2015.



Frey havia voltado com o EAGLES em 1994 e banda seguia com relativo sucesso, não obstante suas exigências de ter cachê superior aos outros membros por ter sido o mais bem sucedido nos tempos de afastamento do grupo, foi o músico que falecimento foi mais alardeado; notadamente pelo EAGLES possuir muito fãs que nem são do Rock.

Sergio Lopez, baterista do LUZBEL.



Os relógios ainda não haviam dado o horário das pessoas regressarem ao trabalho quando outra notícia terrível veio. Faleceu Sergio Lopez, baterista que esteve com o LUZBEL entre 1984 e 1986, saindo pouco antes de começarem as gravações de "Pasaporte al Infierno", mas tendo nos seus créditos o clássico "Metal Caído del Cielo".

Considerado por muitos um dos melhores discos de Heavy Metal latino, esse EP foi o único que registrou os talentos de Lopez, mas foi o álbum que fez o LUZBEL conhecido internacionalmente pelas gerações de Headbangers. Músico ausente e de hábitos reclusos, não foi divulgada a causa da morte e outros circunstâncias relacionadas seguem sem explicação.



Em nota oficial, Raúl Grenas (guitarrista e dono da banda), disse que Lopez foi o melhor músico que já trabalhou em termos técnicos e humanos. Já Arturo Huizar (ex-vocalista que tem uma banda chamada LVZBEL) realizou um concerto em homenagem ao ex-parceiro ainda naquele janeiro.

JORGE CABRERA, vocalista do LUZBEL.

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Ainda que muitos acreditem que "Metal Caído Del Cielo" (1985) seja o primeiro disco do LUZBEL, a verdade é que a banda existia desde 1981 (com o nome de RED) e havia gravado um disco completo em 1983. Acontece que a gravadora WEA à época considerou o som da banda "Fora dos padrões" e o mesmo ficou engavetado até meados dos anos 1990, sendo lançado sob o nome "El Comienzo" quando Rául Grenas e Arturo Huizar romperam caminhos pela segunda vez.



O guitarrista Raúl Grenas havia acabado de chegar do velório de Sergio Lopez quando recebeu uma ligação indicando que outro ex-membro de sua banda faleceu. Assim como no caso anterior, nenhum detalhe foi informado. Dono de uma voz sólida, Jorge Cabrera havia se desligada da música após o grupo ser rejeitado pela gravadora.Também novamente, headbangers do mundo topo lamentaram o  falecimento do vocalista antes desse dia terminar.

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O Rock Dissidente lamenta os cinco falecimentos e faz figas para que nunca uma data tão maldita se repita.