quarta-feira, junho 07, 2017

Antes do New Metal: artistas de Rock / Metal que gravaram Rap.

Foi em 11 agosto de 1973 que Kool Herc, um DJ jamaicano radicado em Nova York, introduziu o RAP nos Estados Unidos da América; posteriormente o divulgando para o mundo. Palavra que é uma gíria inglesa para "conversar" o RAP é definido por um dialogo, um discurso, que o MC (mestre de cerimônias) faz sobre uma batida de bateria com baixo. Originalmente das festas jamaicanas dos anos sessenta, o RAP surge com críticas políticas de esquerda contando da vida das pessoas da periferia. Ganhando cada vez mais espaço na mídia, o RAP foi aumentando de popularidade, e seu estilo "fácil de copiar" começou a ser assimilado pelo Rock ainda na primeira metade dos anos 1980.




À principio, o RAP chega no Rock já sem as críticas sociais ou apresentando as condições de vida das pessoas na periferia, totalmente fora da cultura Hip Hop. Ele aparece "em sua forma pura, leve, inofensiva" só como um discurso rimado sobre uma base musical; que aqui, além do baixo e da bateria, inclui a guitarra. O ANTHRAX foi o pioneiro a incluir um DJ fazendo os sons de um disco indo e voltando, com um cover do PUBLIC ENEMY em 1991. Esse foi um estopim para que em 1992 o KORN apresentasse o Nu Metal, que junta todas as características anteriores com afinação mais baixa dos instrumento de corda, inexistência ou poucos solos de guitarra e ritmos quebrados baseados no Groove Metal do PANTERA / SEPULTURA. Nesse mesmo ano o BODY COUNT lança seu primeiro álbum, e até onde entendemos, o primeiro disco de Thrash Metal com Rap em todas as faixas. Começa o festival OzzFest e a mídia, a MTV e as grandes gravadoras, à partir de 1998, já trocam o Grunge por bandas como SYSTEM OF A DOWN ,GODSMACK, LIMP BIZKIT etc.



Quando os tubarões das grandes corporações abocanham esse filão musical e começam a impor que a essa é a "nova ordem" a originalidade e a qualidade caem por terra. Nesse contexto surge também o RAGE AGANIST THE MACHINE, usando muito elementos do RAP e mantendo as críticas sociais de esquerda, mas sem ser exatamente New Metal; mas já muito diferente do Heavy Hard para entrar na nossa listagem. Vamos recordar então como começou a inserção do RAP ao Hard Rock e ao Heavy Metal.  Essa dissidência, apresentada exclusivamente pelo Rock Dissidente, visa os croosovers,  quando rockers fizeram Rap. Boa viagem!

01 . MANOWAR (1984) "All Man Play on Ten".



Difícil de acreditar que a banda que mais louva o Metal, o verdadeiro Metal, não misturado, que posteriormente faria músicas para Thor e outras mitologias nórdicas, que dedicou disco em homenagem a Inglaterra, nada mais distante que a oprimida juventude jamaicana, seja a PRIMEIRA a juntar o Rap com o Heavy Metal!

A música foi lançada em 1984, no disco "Sign of The Hammer". Ainda lançada como single, junto com "Mountains", a música desapareceu dos shows e demais registros da quarteto.

02 . AEROSMITH & RUN D.M.C. (1986) "Walk This Way".



A parceria que abriu caminho para crossovers entre Rock e Rap, além de mostrar ao público que a junção podia vender muito, foi tramada pelo produtor Rick Rubin. O AEROSMITH estava decadente, enquanto o RUN DMC se tornava o maior grupo de Rap estadunidense como seu segundo disco "King of the Rock", de 1985.

Joey Perry já conhecia o RUN DMC pois seu filho era fã da banda e ficou entusiasmado com o convite do produtor de fazer um remake  do sétimo single do AEROSMITH, lançado originalmente em 1975. Já os rappers não gostaram nada dessa ideia e protestaram veementemente contra ela. Não a queriam no seu próximo disco ou como single. Todavia, as novas letras e a mudanças pequenas no ritmo, junto com o video clipe da MTV, provaram ser uma das mais bem sucedidas decisões da indústria fonográfica, com a música chegando ao quarto lugar das paradas de sucesso naquele verão de 1986; ainda com a desconfiança do RUN DMC.

03 . JOAN JETT (1986) "Black Leather".



Atriz, feminista e vegetariana, a rocker JOAN JETT também foi a primeira mulher a misturar Rock pesado com Rap. Tal amalgama se deu em no seu quinto disco pós- THE RUNNAWAYS chamado "Good Music". O Rap de Jett fala da mulher se vestir como ela bem entender; que no caso é de Couro Preto.

04 . KING KOBRA (1986) "Home Street Home".



Após o sucesso do AEROSMITH, vieram alguns oportunismos. Alguns deles, difíceis de compreender. É o caso do segundo disco do King Kobra; de Hard 'n' Heavy vigoroso para um LP de A.O.R. com uns Hards mais pesados no final e esse Rap, cuja participação especial é sequer citada no encarte do disco. Desnecessário dizer, esse é o som que o próprio grupo mais menosprezou em sua carreira.

05 . ANTHRAX (1987) "I'm The Man".



Após o S.O.D., sempre buscando inovar, Scott Ian e Charlie Benante resolveram compor um RAP contando a história do ANTHRAX. Isso alegrou a galera do PUBLIC ENEMY, e, indo na maré contrária do que aconteceu com o AEROSMITH (em que o próprio RUN D.M.C. foi contra a inclusão do RAP no disco), o rappers do PUBLIC ENEMY já haviam notado que o guitarrista Scott Ian usava um boné com o logo da banda deles e resolveu homenagear o ANTHRAX os citando na canção "Bring The Noise", lançada em 1987. Quatro anos depois, os dois grupos fizeram um crossover remake da canção, que fez muito sucesso.

06 . KISS (1988) "Read My Body".



Um grupo que fala de festa, amizades, desventuras e aventuras românticas. O KISS nada tinha a ver com o RAP, porém, em 1988, talvez, animado pelo sucesso do AEROSMITH, resolveram fazer o canto da canção do disco "Hot in the Shade" no estilo RAP. O som não entrou na turnê do disco, nem nas coletâneas e acabou relegado à memórias dos fãs mais fervorosos. E uma memória não muito comemorada.

07 . METAL CHURCH (1988) "Iron Man".



Em seu primeiro álbum, chamado "Swass", o rapper Anthony Ray, mais conhecido pelo nome artístico de SIR MIX-A-LOT chamou os thrashers do METAL CHURCH para fazer um rap em cima de uma cover para "Iron Man" do BLACK SABBATH. A banda gravou o instrumental com o então novo vocalista Mike Howe gritando o título da canção. Ainda que não tenha entrado no  "Bleeding is Disguise", a parceria ainda rendeu um single. Diferente de todos os outros aqui, exceto pela JOAN JETT, a letra da canção é crítica.

08 . STRAIGHT WAY (1989) "Don't Even Swerve".



Essa á a única banda de White Metal em nossa listagem. Com menos de dois minutos, essa é um rap contando a estória de Jesus. Vestindo-se de preto e branco e com nítidas influências de STRYPER, a banda texana só durou esse EP.

09 . FAITH NO MORE (1990) "Epic".



O Rap mais famoso do Rock'n'Roll / Heavy Metal foi um single do terceiro disco da banda, chamado de "The Real Thing". Essa foi a estréia do vocalista Mike Patton que vinha de uma banda que gostava de misturar todos os estilos ao tal Heavy Metal, criando um subgênero chamado  Metal Alternativo ou Funk 'o Metal. Diferente dos outros artistas citados na lista, em que o RAP apareceu como uma experiência a ser abandonada, no caso do FAITH NO MORE e da carreira solo de seu vocalista, misturar tantos estilos quando possível é o mote do som. E os anos noventa foram marcados pelas gravadoras incentivando o Rock ser misturado com outros estilos, criando um comercialismo como nunca antes imaginado!

10 . VOLKANA (1990) "War? Where my Enemy Lies".


Presença brasileira na lista. Formada em Brasília na época do FLAMMEA, a banda de Thrash Metal se mudou para São Paulo e com o baterista do VODU registrou seus discos. O primeiro deles, First, consta duas passagens de RAP em português, feitas pelos MC Thaíde e DJ Hum, na música "War? Where My Enemy Lies". A cacofônica introdução, "Scrach Noise", da caótica música imita o barulho de um disco indo e vindo. Esse é um dos sons mais bem sucedidos da VOLKANA, sendo tocado em todos os shows.

11 . DANGER DANGER (1991) "Yeah, You want it".



Uma brincadeira que encerra o segundo disco de estúdio do quinteto estadunidense de Hard Rock DANGER DANGER. A canção  também se tornou totalmente esquecível, quase nem tendo elementos de Rock, ainda mais no disco que contém um dos maiores sucessos do grupo "Beat the Bullet".

12 . TUFF (2000) "American Hair Band".




Em uma homenagem às bandas dos anos 1980, o TUFF, em 2000, gravou um Rap sob base de "Sad But True" do METALLICA; algo como o METAL CHURCH fizera 12 anos antes. "American Hair Band" foi gravada no começo da explosão do New Metal, numa época que as bandas de Metal passaram a rejeitar e hostilizar o RAP por causa da concorrência com o New Metal e, até onde nos consta, é a última canção registrada nesse estilo que não seja Nu Metal.

O Rap, quando aparece associado ao Rock, salvo raras e honrosas exceções, perde o seu lado crítico, se tornando meramente um meio estético de fácil assimilação e, doravante, muito potencial comercial. Ele se torna o HIP HOP sem a crítica, inofensivo, que pode ser tocado numa festa burguesa sem ofender o sistema; e contestar, questionar e criticar o sistema estão na gênese tanto do RAP quanto do ROCK.

Você conhece mais canções de Rock, anteriores ao New Metal, que possuem RAP? Use o espaço abaixo de comentários para deixar o seu recado; afinal, dar voz ao povo é a prioridade inicial do RAP e do Rock.

Willba agradece a Anny Tysondog  e a Marcelo Lamoglia.
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quinta-feira, junho 01, 2017

Jesse Navarro: "banger de direita transforma o movimento em lixo; mas reciclável".

"JUDAS PRIEST, AC/DC, TWISTED SISTER, MÖTLEY CRÜE e MERCYFUL FATE são exemplos que fizeram a elite conservadora arrancar os cabelos e não medir esforços para censurá-los", disse o jornalista Jesse Navarro (que foi da Abril, Band, Rede TV e hoje apresenta o canal Odyssey no Youtube) , citando uma declaração do colega Bruno Silvestre no site WikiMetal. A conclusão de Navarro é que "dentro do espírito de contestação que o Rock and Roll representa, era para o metaleiro ser, por natureza, no mínimo alguém contra o estabilshment", mas não é exatamente isso que tem acontecido.

Em artigo intitulado "Quem é mais alienado: o pobre de direita ou o metaleiro de direita?" publicado em 31/05/2017 no portal Diário do Centro do Mundo, o jornalista sustenta que "headbanger alienado de direita no Brasil transforma o movimento em lixo, mas um lixo reciclável, ou seja, o cara pode abrir a mente se entender que o gênero, em sua raiz, é um movimento de protesto contra a sociedade conservadora".


A headbanger transgênro Angela Fraça durante a marcha Anti-Fascista de SP. Foto: Jesse Navarro.

No sábado, 13 de maio, o jornalista esteve na marcha Anti-Fascista de São Paulo e notou um antagonismo quando o movimento passou em frente à Galeria do Rock. Enquanto gente em frente ao referido Templo do Metal na avenida São João dava jóias à manifestação, outros diziam ser uma pena ver Headbangers com camisetas do Che Guevara, Fidel Castro etc. Haviam muitos punks, LGBTT's e headbangers no protesto que começaram a gritar "caiam na real, o Metal não é fascista" em resposta aos frequentadores da Galeria do Rock que xingavam à marcha. Tudo tão contraditório quanto Phil Anselmo (PANTERA), Dave Mustaine (MEGADETH) e Tom Araya (SLAYER), todos de bandas de Thrash Metal, cuja origem é o Punk Rock, se dizerem conservadores.

Leia aqui o artigo original:

"Nunca se esqueçam que o rock nasceu do blues, dos negros, é som de negão. Pode existir White Metal fascista, bandas que defendem a Klu Klux Klan, mas esses caras estão viajando na maionese, usando muita droga estragada e estragando um movimento que nasceu para ser de esquerda", conclui Navarro sem dar resposta a pergunta que intitula o artigo.

Com agradecimentos a Dimitri Brandi de Abreu.

terça-feira, maio 23, 2017

ROCK DISSIDENTE vira um canal de rádio!



 O Rock Dissidente agora é um canal dentro de um programa de Rádio. No ar desde 2001, sendo o segmento radiofônico de Rock / Metal mais antigo do Sul de Minas Gerais, o PROGRAMA COMBATE, transmitido de Varginha, terá um dos seus blocos com locução e apresentação de Willba Dissidente.

O intuito é diversificar o PROGRAMA COMBATE, adicionando novas vozes e ideias (dissidentes) ao periódico já tradicional. Tal como no Blog, o Rock Dissidente seguirá buscando temas incomuns, macabros, fora do padrão, mas que fazem parte do som pesado, incomodam e interessam aos Headbangers e demais ouvintes. Haverão destaques para bandas, temas e entrevistas 'on the road' de Willba enquanto mestre de cerimônias e jornalista.

Equipe do PROGRAMA COMBATE com Willba nos estúdios da MELODIA FM, de Varginha / MG.
É todo domingo, das 16 às 18, que o Rock Dissidente pegará pesado no seu rádio, transformando o PROGRAMA COMBATE numa guerra!
Ouça na Melodia FM 102,03 em toda região de Varginha, Minas Gerais, ou pelo computador, celular, tablet, facebug, nos links abaixo.


Willba gravando o canal ROCK DISSIDENTE no PROGRAMA COMBATE.

PROGRAMA COMBATE:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Produção técnica: André "Detonator" Bíscaro.
Participação Especial: Willba Dissidente

OUÇA AO VIVO:

http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/
https://www.facebook.com/combatefm/

ASSISTA DEPOIS NO YOUTUBE:

http://www.youtube.com/WillbaDissidente/
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terça-feira, abril 11, 2017

Rock In Rio I: o pior que poderia acontecer para o Metal Nacional.

"O ROCK IN RIO de 1985 foi a pior coisa que poderia acontecer para o Metal Nacional", disse ROBERTINHO DE RECIFE no documentário Brasil Heavy Metal. Mas como assim? Um festival de 10 dias numa época que shows internacionais nem existiam trazendo IRON MAIDEN, WHITESNAKE, SCORPIONS, AC/DC, OZZY OSBOURNE pela primeira vez à América o Sul, além de repetir o sucesso do QUEEN, como isso poderia ser ruim? O que o guitarrista do METAL MANIA quis dizer foi que o Rock in Rio chega ignorando tudo que já existia de Rock pesado no Brasil e apresenta o Heavy Metal para o grande público de maneira estigmatizada e sensacionalista. 

O evento foi patrocinado pela cerveja Malt 90.
Vamos entender o contexto da época. Nos anos setenta e no começo dos anos oitenta era raro artistas internacionais de Rock se apresentarem na América Latina. O motivo? Nosso povo era governado quase que exclusivamente por Ditaduras Militares financiadas pelos Estados Unidos da América, justificadas como forma de conter "o avanço comunista", na região; mas que de verdade era o método utilizado pelo governo yankee para usurpar as riquezas naturais e garantir - com apoio irrestrito de elites entreguistas - submissão dos latinos ao patrão do Norte. O mote das políticas públicas desses governos era proteger os interesses econômicos, por meio de hiper-inflação e arrocho salarial, concentração de renda, deixando os empresários e banqueiros cadas vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Esse modelo de "desenvolvimento" impossibilitava grandes investimentos em cultura, pois além da instabilidade política, a concentração de renda não permitia que o grande público pudesse ter dinheiro para pagar os ingressos. 

O primeiro show do IRON MAIDEN no Brasil foi no Rock in Rio. Foto: internet.
É nesse contexto que o Heavy Metal chega ao Brasil ainda no fim dos anos setenta e rapidamente se expande graças ao trabalho abnegado de zines, bandas e produtoras que começam uma cena underground nessas terras. O Rock pesado era underground e ignorado pela grande mídia; nos rádios, tevês e jornais. Nos anos oitenta, com a Ditadura dando sinais de abertura, a situação politica e econômica começa a estabilizar, permitindo a mais pessoas terem acesso ao Rock. Prova disso foram os shows do QUEEN em 1981, KISS e VAN HALEN em 1983; lotados e com mais gente querendo entrar e quem passava na porta não entendia o que se passava. Percebendo isso a Rede Globo, com produção do empresário Roberto Medina, resolveu investir no formato de mega festival,  pois só assim, grande e gigantesco, era possível baratear os ingressos e trazer as estrelas citadas para um grande público. E não só o festival era megalomaníaco, começando a ser divulgado em outubro de 1984, a promoção do Rock in Rio foi espalhafatosa, comparável a uma copa do mundo, quase como tornando o Rock uma moda.


Programação do evento.


Muito lembrado pelo pioneirismo e a coragem de investir quantia considerável de dinheiro e atrair público total de 1 milhão e oitocentos mil pagantes o primeiro ROCK IN RIO se tornou histórico pelo maior palco do mundo até então (5 mil metros) e também por marcar o início de grandes festivais de Rock'n'Roll no Brasil. Até então, as pessoas fora do esquema de shows pequenos, zines, bandas, não faziam ideia que existia esse tal de Heavy Metal e nem que eram tantos os seus fãs. Todavia, como mostraremos nesse artigo, o Rock in Rio chega ignorando tudo de Metal e Rock pesado que foi construído no Brasil até então, além de por meio de várias gafes e informações tendenciosas e sem cuidado da jornalístico da Rede Globo, acabou por desconstruir e deturbar o que já havia. E estamos falando de coisas mais sérias do que dizer ao SCORPIONS que índios brasileiros usam instrumentos primitivos, que "I Want to Break Free" é uma música sobre o movimento gay, Eddie - O monstro, o vocalista Brian Dickinson  e outras pérolas do jornalismo Globo (inclusive a única emissora a cobrir o evento) disponíveis no youtube....

Jake Lee e Ozzy ao vivo em 1985. Foto: internet.

01 . O termo metaleiro.

Foi numa reportagem de Leilane Neubarth que surgiu esse famigerado termo. Entre sí, no underground, os Heavies se intitulavam Headbangers. Headbanger era nome dado aos adeptos do Heavy Metal entre sí e no seu próprio meio; assim como Rock, Punk ou Metal é uma palavra cuja tradução é desnecessária. Todavia, a Rede Globo resolveu desrespeitar isso, pois uma política interna da emissora de "evitar palavras em outros idiomas" foi considerada mais importante do que as pessoas as quais eles faziam matéria. Resultado: para o grande público fã de Heavy Metal é metaleiro; público esse que só ficou sabendo que o Metal existe pela Rede Globo.

Para os Headbangers, metalúrgico é quem trabalha com metais em geral, metaleiro é um termo pejorativo, um xingamento, pois sua origem é daquelas pessoas que não entendem de Metal e não fazem parte do grupo. Assim metaleiragem, e derivados, são sinônimos de pagas paus entre os headbangers; que são tratados como Metaleiros por uma sociedade que poderia entendê-los melhor caso o maior canal de televisão do mundo tivesse feito um trabalho apropriado de jornalismo. Em boas palavras: se a Rede Globo fosse respeitosa essa abominação do "metaleiro" não existiria.

Capa de uma revista da época, com foto do vocal do IRON MAIDEN sangrando após levar uma guitarrada em "Revelations".

02 . Escrever Rock and Roll errado (Rock in Roll).

Esse foi um efeito colateral do festival, mas que também a cobertura jornalistica da "festa dos metaleiros" não se preocupou em corrigir. Já existia mídia especializada de Rock pesado no Brasil antes do Rock in Rio, como por exemplo a Revista Metal. Discos de discos nacionais já eram lançados, porém o esquema de divulgação tão massivo do massivo do ROCK IN RIO, tinha fundos e recursos antes inimagináveis. Assim o fato de o festival chamar Rock IN Rio (Rock no Rio) sugestionou as pessoas a escrever Rock in Roll (Rock no Roll) ao invés de Rock AND Roll (Rock e Rolar). Tal efeito nocivo poderia não existir se a Rede Globo tivesse buscado quem eram os zineiros e jornalistas musicais da época.

OZZY com camiseta do Flamengo, demonstrando saber mais de Brasil do que a Rede Globo sabia de HEAVY METAL.

03 . Falta de um representante nacional.

Esse é o ponto fundamental do artigo. Em janeiro de 1985 já faziam dois anos e meio que as bandas nacionais editavam de maneira independente seus discos no Brasil (o marco zero sendo o STRESS em agosto de 1982). Porém, como já citado anteriormente, o festival simplesmente ignorou isso no seu cast. Ainda que o Metal feito no Brasil carecesse de instrumentos e equipamentos de ponta, o festival simplesmente nem se importou com tudo que já existia e colocou no cast artistas de MPB, Rock Br 80 e inclusive estrelas internacionais da New Wave e Música Pop e nem sequer se cogitou em procurar mostrar ao grande público similares tupiniquins ao IRON MAIDEN, SCORPIONS, etc. Sejamos sinceros e sem querer desmerecer:, a maioria do público queria o AC/DC e não o PARALAMAS DO SUCESSO! Nem mesmo o próprio ROBERTINHO DE RECIFE, que lançara no ano anterior o LP "Metal Mania" por uma grande gravadora foi cogitado. Nem nomes da  décadas passada, mas ainda ativos como MADE IN BRASIL e PATRULHA DO ESPAÇO foram considerados. O grupo nacional mais pesado do festival era o BARÃO VERMELHO (e inclusive foi o único a não ser vaiado pelos "metaleiros")!

Muito se diz que o Rock in Rio abriu o interesse das gravadoras para o Metal Nacional. Todavia, até onde apuramos somente o STRESS conseguiu lançar disco por uma grande gravadora imediatamente após o festival. Os paraenses foram seguidos do INOX em 1986. Todavia, as gravadoras foram tão displicentes que o primeiro disco, "Flor Atômica", saiu com uma música sem voz e o segundo, "Inox", saiu com um erro de prensagem que impossibilitava que ele fosse ouvido. Demorou muito ainda para as gravadoras alavancarem o Metal Nacional, e o festival, nada fez para agilizar o processo. O Rock in Rio fez o brasileiro mediano, padrão, ver o Heavy Metal como algo pitoresco. A industria e a mídia não teve qualquer interesse de desenvolver a cena metal no Brasil. Teria sido diferente com uma banda nacional representando o nosso metal? Eis a questão!

WHITESNAKE com a "Formação Galática".

04 . Mercantilização do Rock.

Durante as duas semanas do evento vendeu-se 1.600.000 Litros de bebidas em 4 milhões de copos, 900 mil sanduíches, 500 mil fatias de pizza, o Mac Donalds entrou para o Guiness pela alta vendagem de hamburgueres... o Rock in Rio era para vender. E o Rock também se tornou um produto a ser comercializado. Por ser um produto ele perdeu suas características que o definiam nas reportagens da Rede Globo, inclusive mesclando o Metal ao New Wave!!!! É bem verdade que as Galerias do Rock em São Paulo e Belo Horizonte receberam muito mais adeptos após os festival, e que as lojas venderam mais camisetas e discos, porém também é verdade também que esse público foi se dissipando ao perceber que no underground o Rock pauleira era outro que aquele mostrado na televisão. O evento também não buscou as bandas internacionais 'novas' de Rock Pesado que faziam a cabeça dos headbangers como METALLICA e SLAYER apostando em artistas que eram supostamente "lucro garantido". Em suma, o Rock in Rio não representava o que era o Heavy Metal foras das luzes e holofotes da Rede Globo.


Imagem clássica do festival, quando o MAIDEN visitou o Rio de Janeiro.

05 . A não continuidade.

Finalizando, o Rock in Rio não teve continuidade. Nos anos seguintes as tours de nomes como VENON, EXCITER, QUIET RIOT etc que se realizaram no Brasil foram iniciativas underground, feitas por aquelas mesmas pessoas que já se esforçavam pelo Metal no Brasil antes do Rock in Rio e continuaram suas investidas independente do festival, pois o ROCK IN RIO se fez independente do que existia de Metal pesado no Brasil. "Os caras foram embora, acabou", definiu bem Rolando Castello Júnior (do AEROBLUS e diversas outras bandas já citadas).

As falhas no microfone do Bruce Dickinson, ou o AC/DC tocando Hells Bells com um sino de gesso foram ruins, mas foram o menos pior que ocorreu no Rock in Rio. Parte do público pode assistir shows internacionais que até então nunca sonhariam ser possíveis. A democracia vinha chegando no Brasil concomitantemente com o Metal ganhando espaço na mídia. Porém, o sonho se tornou pesadelo, pois o Rock in Rio estigmatizou e ridicularizou os Headbangers, não deu espaço para quem já estava na cena mostrar seu trabalho e não contribuiu para o crescimento dessa cena.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Búlgaria: grafites homenageiam Dio, Lemmy, Tarja e outros rockers célebres.


Ronnie James Dio foi muito mais quem um rocker ou um headbanger. O envolvimento mais notório do  vocalista com as causas sociais aconteceu em 1985, ao capitanear o projeto Hear an Aid para obtenção de fundos para ajudar no combate à fome na África, mas não foi o único. Na cidade litorânea de Kavarna, no Mar Negro, o ex-vocalista do BLACK SABBATH, RAINBOW, ELF etc participou ativamente numa campanha de oito anos para a libertação de enfermeiras búlgaras que estavam presas na Líbia. O povo búlgaro agradeceu ao herói, que tocou cinco vezes na cidade de 12mil habitantes, erguendo no final de 2010 uma estátua de DIO sobre pedras retiradas do fundo do Mar Negro.

 

Localizada no parque central da cidade, a ode ao "santo mergulhador", faz parte do projeto "Wall of Rock", idealizado pelo prefeito Tsonk Tsonov. Lar do festival Kavarna Rock Fest, que recebe headbangers de toda Europa no estádio da cidade anualmente desde 2006, e onde, nos três dias de evento, já tocaram ARIA, STRYPER, HELLOWEEN, UFO, MSG, TWISTED SISTER etc e o próprio DIO com o HEAVEN & HELL em 2007, o projeto visual da cidade ficou pronto em 2016.



O projeto "Wall of Rock" consistiu em matar a monotonia dos principais edifícios do centro da cidade com grafites em homenagem a rockers célebres.



Muito se fala e se diz da Europa como modelo de progresso e civilização, todavia, a iniciativa da prefeitura da cidade búlgara em incentivar o grafite e gastar com cultura é totalmente antagônica, por exemplo, com a do atual prefeito de São Paulo. Ex-apresentador de um programa de TV de baixa audiência, o milionário João Dória (que alguns acham parecido com o próprio DIO) está mobilizando 500 guardas civis e mais policiais do DEIC, implantando câmeras e TIRANDO dinheiro que seria mobilizado à educação (cortando o programa Leve Leite e ameaçando reduzir 'gastos' com material escolar e transporte dos alunos para isso) para isso.




Com quais modelos de urbanismo você acha que Ronnie James Dio se identificaria mais? Certamente, que os prefeitos brasileiros tem muito o que aprender com a administração municipal de Kavarna.

O Rock Dissidente agradece a Márcio Baraldi.
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terça-feira, janeiro 17, 2017

18 de janeiro de 2016: o dia que Rock pesado morreu.

A canção "American Pie", original de DON MCLEAN em 1971, posteriormente coverizada por outros artistas, de CHRIS DE BURGH a MADONNA, é amplamente conhecida. Não obstante conter mais de 800 palavras (citando até a biblia, Lenin e Marx), todo mundo meio que sabe do que fala o refrão da canção: do dia em que a música morreu. Ainda que atualmente o autor confidencie, com muitas ressalvas, que a música conte de uma viagem mística de si mesmo, McLean sempre foi enfático ao afirmar que a situação citada é 03 de fevereiro de 1959, quando o nosso Rock 'n' Roll, que então tinha menos de 10 anos de idade (se considerarmos Alan Freed como primeiro ao utilizar o termo como um gênero musical em 51), perdeu num acidente aéreo três músicos estadunidenses BUDDY HOLLY, THE BIG BOOPER e RITCHIE VALENS (esse filho de imigrantes mexicanos). Talvez essa tenha sido a primeira vez que um astro do Rock veio a falecer, e logo três de uma vez!

No finado ano de 2016 o Rock'n'Roll perdeu muitos artistas: DAVID BOWIE, Rick Parfitt (STATOS QUO), Mick Zane (MALICE), Keith Emerson e Greg Lake (do ELP), Jimmy Bain (RAINBOW, DIO etc), Cris Squire (YES),  ... A lista é enorme, mas o que tem sido esquecido da grande mídia é o dia 18 de janeiro de 2016 quando CINCO artistas de Rock pesado (três deles mexicanos) faleceram no mesmo dia e em situação diversas.

Vamos conhecer um pouco deles e relembrar os fatos.

Dale Griffin, do MOTT THE HOOPLE.


O baterista britânico que ficou famoso por ser membro fundador da icônica banda de Glam Rock de Ian Hunter, além de ter se dedicado à produção musical, faleceu vitima de Alzheimer enquanto dormia na madrugada de 17 (domingo) para 18 (segunda-feira) de janeiro. O música havia sido diagnosticado com a vil doença em janeiro de 2009. A banda se reuniu em outubro do mesmo ano para uma turnê comemorativa de quarenta anos com o baterista do THE PRETENDERS com Griffin subindo ao palco para tocar as músicas do bis e cumprimentar a platéia.



Logo na manhã de 18 de janeiro a notícia da morte de Griffin ganhou as manchetes. Até então não teríamos como saber, mas começava um dos mais terríveis dias para o Rock pesado.

Everardo Mujica Sánchez, El Muneco, ou Lalo Tex do Tex Tex.



Inspirado pela presença de palco de Freddie Mercury e as calças justa de Robert Plant, o ex-professor de matemático nascido num pueblo do municipio de Txcala em 1959, se tornaria um dos grandes heróis do rock mexicano desde que ganhou notoriedade na segunda metade da década de 1980. De sombreiro de visual de roça, Lalo, apelido que se tornou seu nome artístico ainda que fosse conhecido também como O Boneco (el muneco), dizia que seu trio (por muito tempo formado só por parentes) era um dos poucos grupos exclusivamente Rock'n'Roll do México, sendo que os outros seriam Metal, pop etc.



Lalo faleceu em Cidade do México um pouco antes do dia de 18 de janeiro amanhecer. O cantor, guitarrista e compositor sofreu um ataque cardíaco regressando de um concerto domingo na cidade de Chimalhuacan, não vendo a luz daquela manhã de segunda-feira. Seu falecimento chocou o México, pois desde os fãs de Elvis até os Headbangers gostavam de sua música "à la ZZ TOP".

Glenn Frey do EAGLES.



Era por volta da hora do almoço quando soubemos que aos 67 anos falecia a voz e guitarra do EAGLES. Vitima de problemas intestinais com os quais lutava havia anos, o cantor, compositor (ou co-autor em alguns casos) e guitarrista de sucessos mundiais como "Hotel California", "Headache Tonight", "Take Easy" etc faleceu pela manhã em Nova York. Frey, que também teve carreira solo de sucesso na década de 1980, vide "The Heat Goes On" etc, já havia operado em  novembro de 2015.



Frey havia voltado com o EAGLES em 1994 e banda seguia com relativo sucesso, não obstante suas exigências de ter cachê superior aos outros membros por ter sido o mais bem sucedido nos tempos de afastamento do grupo, foi o músico que falecimento foi mais alardeado; notadamente pelo EAGLES possuir muito fãs que nem são do Rock.

Sergio Lopez, baterista do LUZBEL.



Os relógios ainda não haviam dado o horário das pessoas regressarem ao trabalho quando outra notícia terrível veio. Faleceu Sergio Lopez, baterista que esteve com o LUZBEL entre 1984 e 1986, saindo pouco antes de começarem as gravações de "Pasaporte al Infierno", mas tendo nos seus créditos o clássico "Metal Caído del Cielo".

Considerado por muitos um dos melhores discos de Heavy Metal latino, esse EP foi o único que registrou os talentos de Lopez, mas foi o álbum que fez o LUZBEL conhecido internacionalmente pelas gerações de Headbangers. Músico ausente e de hábitos reclusos, não foi divulgada a causa da morte e outros circunstâncias relacionadas seguem sem explicação.



Em nota oficial, Raúl Grenas (guitarrista e dono da banda), disse que Lopez foi o melhor músico que já trabalhou em termos técnicos e humanos. Já Arturo Huizar (ex-vocalista que tem uma banda chamada LVZBEL) realizou um concerto em homenagem ao ex-parceiro ainda naquele janeiro.

JORGE CABRERA, vocalista do LUZBEL.

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Ainda que muitos acreditem que "Metal Caído Del Cielo" (1985) seja o primeiro disco do LUZBEL, a verdade é que a banda existia desde 1981 (com o nome de RED) e havia gravado um disco completo em 1983. Acontece que a gravadora WEA à época considerou o som da banda "Fora dos padrões" e o mesmo ficou engavetado até meados dos anos 1990, sendo lançado sob o nome "El Comienzo" quando Rául Grenas e Arturo Huizar romperam caminhos pela segunda vez.



O guitarrista Raúl Grenas havia acabado de chegar do velório de Sergio Lopez quando recebeu uma ligação indicando que outro ex-membro de sua banda faleceu. Assim como no caso anterior, nenhum detalhe foi informado. Dono de uma voz sólida, Jorge Cabrera havia se desligada da música após o grupo ser rejeitado pela gravadora.Também novamente, headbangers do mundo topo lamentaram o  falecimento do vocalista antes desse dia terminar.

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O Rock Dissidente lamenta os cinco falecimentos e faz figas para que nunca uma data tão maldita se repita.

terça-feira, outubro 04, 2016

Salems Lott: "quem nos chama de nazista é subdotado mentalmente".

> FOR ENGLISH VERSION READ BELOW <

É chamado de DARK GLAM um gênero muito especifico dentro o Metal surgido no começo dos anos 1980. Essa ceara é definida visualmente pelo HARD 'N' HEAVY misturado à estilos mórbidos e sombrios, com som indo do Sleazy ao Speed / Thrash e letras com temáticas igualmente mórbidas, bizarras e agressivas; com muito sangue e teatro no palco. A maioria das bandas do Dark Glam só gravaram uma demo (como o OVERKILL) ou um EP (como o WITCH). Existiram exceções, como o W.A.S.P. dos primeiros discos, ou o MÖTLEY CRÜE até o "Shout At The Devil", mas repare que as bandas que se "deram bem" foram justamente aquelas que deixaram o Dark de lado indo mais a fundo, talvez, no visual mais tradicional e letras comuns. Embora tenha representantes no mundo todo, o estilo só deu certo mesmo no Japão, que no começo da década de 1990 se popularizou e continuou a evoluir passando a se chamar VISUAL KEI.

No (ainda) novo milênio, O Dark Glam, com o perdão do trocadilho, saiu das trevas do esquecimento para entrar nos holofotes dos palcos por jovens bandas como LIPZ, FATAL SMILE, LYNAM e outras, seguindo o caminho deixado por AXATAK, HAWK, THUDERSTICK etc. Desses jovens hasteando a antiga bandeira, destaca-se um grupo angelino chamado SALEMS LOTT.

Wade, Monroe, Jeff e Tony: baixo, guitarras e bateria do SALEMS LOTT. Foto: Divulgação.
 Salems Lott: fritação guitarrística de pura complexidade sobrenatural para as massas!

Formada oficialmente em 2013 por um quarteto virtuoso, adepto do Shred, o SALEMS LOTT lançou logo em 2015 seu auto-intitulado EP pela Rêd Moon Records. Com duas faixas instrumentais e cinco músicas indo da pancadaria ao Hard Rock trevoso (que geraram um par de clipes), o Rock Dissidente conversou com o baterista Toninho Cadáver que explicou curiosidades diversas do grupo, suas opiniões sobre a cena underground (Dark Glam e geral) e com muita espontaneidade e humor negro desfez polêmicas (como a do nazismo) e falou do futuro do grupo. Acompanhe abaixo, se não tiver medo de visual vampiresco, explosões ou que sangue suje sua maquiagem!

01 . Salems Lott é também o nome do segundo romance de Stephen King, e do filme "A Hora do Vampiro", dirigido por Tobe Hooper (de Massacre da Serra Elétrica), lançados respectivamente em 1975 e 1979, e o monstro na capa do ep lembra e muito a personagem da película. Então, o que os assusta? Como isso repercute na música?

De verdade, esse é um erro que as pessoas cometem em relação à nossa alcunha. Nosso nome é tanto uma homenagem às pessoas pagãs e dissidentes perseguidas durante os julgamentos de Salém (quando em 1692 34 pessoas foram executadas acusadas de bruxaria por um juiz que depois admitiu ter errado nos veredictos)  como também aqueles julgados injustamente na idade moderna. Os membros da banda tem pouco mais de vinte anos, e quando decidimos o nome nem sabíamos do livro ou do filme. Ai reside a diferença que separa a geração mais jovem da velha guarda. Sem querer ofender nossos admiradores mais velhos ou o próprio Stephen King.

02 . Pelo sobrenomes "Black", supõem-se que os guitarristas da banda, Jeff e Monroe sejam irmãos. Isso é verdade? Como isso facilita o trabalho em conjunto o fato de meia banda ser família? A outra metade sente preterida?

Sim, de fato. Monroe e Jet são irmãos de sangue no Metal. Contíguos no quadril durante o nascimento ainda que separados para infligir às massas com fritação (shredding) guitarrística de pura complexidade sobrenatural. A outra metade (que é a sessão ritmica de Kay no baixo e Tony F. Corpse - Toninho Cadáver - na bateria) não menos adequada é em suas surpreendentes contribuições.



03. A banda tem feitos shows constantes pelos EUA, tocando com grande artistas como LOUDNESS e até Marty Friedman. Como têm sido a recepção desses novos artistas ao som de vocês? Como a audiência - em sua maioria pela banda principal - tem os recebido?

Oh sim, nós pairamos sobre uma tempestade com o ataque kamikaze (suicida) do LOUDNESS e blitzkrieg (explosão atômica) neoclássico de Marty Friedman (ex- MEGADETH). Eu acho que eles nos relacionam como um fator oferecido pela nostalgia sobre a teatralidade (maquiagem, fantasias, cabelos enormes para cima etc), ainda que nós transcendemos o presente e o futuro por causa desses elementos também. Basicamente, nós não nos encaixamos em lugar algum, mas em todos lugares.

04 . O estilo do Dark Glam, desde o começo dos anos 1990, parecia restrito ao japão com o gênero Visual Key. Quais suas maiores influências, seriam os grupos como LIZZY BORDEN, W.A.S.P., WITCH, ou X-JAPAN, FLATBACKER, AION etc?

Nós somos um tanto quanto divididos em relação a esse debate do Japoneses vs Estadunidenses. Eu amo veementemente a cena Visual Kei (X-JAPAN, DEAD END e AION são os favoritos). Não obstante, eu me oriento mais para a cena Shock Rock do começo à metade dos anos oitenta (início de carreira de MÖTLEY CRÜE, W.A.S.P., LIZZY BORDEN, ICON, HALLOWEEN, SEDUCE) como influências principais. Os outros caras da bandas inclinam-se mais para a cena japonesa como inspiração.
Os show do SALEMS LOTT incluem muita teatralidade. Foto: facebook da banda;
05 . Parece haver uma maldição que paira sobre todos os grupos do Dark Glam, que após uma demo, um EP, ou um disco completo, as bandas deixam de usar o sangue, pentagramas, maquiagem etc? Exemplos são inúmeros. O MÖTLEY CRÜE se tornou muito mais famoso após deixar o visual e temas de "Shout at the Devil'. Vocês se sentem pressionados por isso?

Nosso plano é continuar evoluindo, mas se manter muito teatral e chocante. Diversidade musical e visual, mas deixar que as formas temáticas do show / performance sejam prejudicadas. Devemos nos desenvolver para evoluir e vice e versa. Tudo que é sólido desmancha no ar, mas nós prometemos continuar a utilizar elementos e artísticos e de transtorno de personalidade (histriônicos).

06 . Há uma quantidade considerável de bandas voltando ao Dark Glam, se esforçando para seguir o caminho trilhado por nomes como WRATHCHILD, E.Z.O., HALLOWEEN etc. Estamos falando de LYNAN, TOXIC ROSE, WILDSTREET etc. Vocês curtem essas bandas ou mantém contato?  Há a possibilidade de um show conjunto só com bandas obscuras, algumas antigas como KRANK, AXATAK, e outras mais recentes como vocês?

Não obstante nunca termos conversado pessoalmente, eu sou um fã de TOXIC ROSE. Vocês deviam conhecer WICKED, de Nova York. Num universo paralelo eu os vejo como o ANGEL e o SALEMS LOTT como o KISS. Aquela coisa toda do bem contra o mal; ANGEL é do céu, KISS do inferno. A combinação de preto e prateado do KISS contra a estravagância puramente branca no estratagema do ANGEL.

Nós do SALEMS LOTT idolatramos o KRANK. O debut deles é matador. De verdade, estamos considerar coverizar uma de suas músicas.

Além do teatro, as apresentações incluem show pirotécnico. Foto: divulgação.
07 . Há uma avalanche de bandas novas vindas da Suécia e Finlandia, citamos ROULETTE, CRASHDIET, HARDCORESUPERSTAR, VAINS OF JENNA quase todas tocando Sleaze Glam. O que vocês acham desse estilo?

CRASHDIET é legal. Uma banda que eu estive antes chamada DEVIL'S ALLEY abriu um show deles. Na medida da totalidade dessa cena, nós honestamente, não somos grandes fãs. Nossa obsessão é mais os grupos de Metal mesmo com visual muito doido.

08 . O Dark Glam apareceu no cinema em filmes como Trick or Treat (Heavy Metal do Horror / Rock do Dia das Bruxas), Rocktober Blood, Rock'n'Roll Nightmare (Entrada para o Inferno), Hard Rock Zombies etc. Quais os seus favoritos? Vocês cogitaram usar algum para nomear a banda?

Trick or Treat é a influência principal do SALEMS LOTT, em especial o sempre ameaçador espectro Sammi Curr. Seu satanismo enérgico e consumidor da realeza é bem importante na nossa ideologia e músicas. Falando de outros feito eméritos do cinema, citamos BLACK CIRCLE BOYS, METALHEAD e o recente DEATHGAMS, inspirado pelo festival de Metal SlaughterFest.



09 . O Dark Glam é um gênero que musicalmente vai desde o Sleaze, a quase o Metal extremo, passando pelo Hard Rock, Heavy Metal etc. Todavia, poucas bandas fora do japão colocaram tantos estilos no mesmo disco, como vocês fizeram em seu EP. A audiência tem percebido essa intenção e inspiração em X-JAPAN e outros?

Há, sem dúvidas, uma enorme influência japonesa. Nós nunca negaremos o X-JAPAN, todavia, ser multidimensional musicalmente é extremamente crucial para o que fazemos com o SALEM LOTT. Nosso ful lenght vai surpreender muitos humanos. Ele será calçado todo em emoções e texturas diferentes. Tudo entra, desde a violência Thrash à baladas lindamente compostas, com hinos para socar o ar e até tendências experimentais. Uma ampla gama de destreza nas composições será orgulhosamente apresentada.

10 . Algumas bandas japonesas, como ROMMEL, ROSENFELD, MEIN KAMPF, tiveram sua imagem associado ao nazismo.Vocês tem uma música chamada S.S., ainda que signifique "Sonic Shock", e usam faixas vermelhas nos braços. Algo semelhante aconteceu com vocês?

Às vezes, sim. Ainda que de maneira alguma sejamos racistas, nós acreditamos que algumas idéias do Hitler tiveram mérito; por exemplo a eugenia ou o sofrimento para criar os Übermensch (homens superiores). Afora essas ideias, nós não fazemos parte dessa linha de pensamento.

Cartaz de um show proibindo a entrada de rappers. Fonte: Facebook.
11 . Em 2006, o grupo alemão BONFIRE amargou más críticas com a canção "Rap is Crap" (Rap é porcaria). Vocês também tem feito uma campanha semelhante em alguns cartazes de divulgação de shows, sugerindo que a entrada de rappers é proibida. Isso gerou alguma acusação de racismo ou deméritos para vocês?

Talvez, mas mais uma vez é uma forma para chocar os menos dotados mentalmente, ou com ar na cabeça e cérebro de ervilha

12 . Espaço aberto para se despedirem da sua primeira - esperamos de muitas - entrevistas para o Brasil, América do Sul e Latina.

Muitoooo obrigado Willba por acreditar na nossa banda de loucos niilistas, adornados comesticamente, assassinos da camada de ozônio de tanto spray de cabelo e deformações bizarras. Nós esperamos visitar em breve seu país e lhes dar uma dose da verdadeira loucura do Metal chocante e fritado! Desafiem o mundano!

Tony, Monroe, Jeff & Wade. Foto: divulgação.
SALEMS LOTT:

Monroe Black - Vocal principal e guitarra.
Jeff  Black - Fritação nas guitarras e voz secundária.
Kay Wad - Baixo principal e voz terceária.
Tony F. Corpse - Bateria e interlocutor de entrevistas.

Discografia
Salems Lott (Ep, cd, 2015).



Sites relacionados:
http://salemslott.com/
https://www.facebook.com/salemslottband/
https://www.youtube.com/user/salemslottofficial/
https://www.instagram.com/salemslottband/
https://twitter.com/SalemsLottBand/
https://itunes.apple.com/us/album/salems-lott/id945549956/

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< ENGLISH VERSION >

It's been called DARK GLAM a very especific genre that came out in the early 80's metal. Visually, Dark Glam has the same Hard 'n' Heavy bands look mixed with darker and morbid outfits. The music is also mixed up, from the Sleaze Glam to Speed / Thrash Metal assault. The lyrics are also about morbid, bizarre and violent themes; and of course, there's a lot of blood and theatre on the stage. Most of bands that embrace this genre only lasted a demo tape (happened to OVERKILL) or an EP (the case with WITCH). There were some excessions, like W.A.S.P.'s 1st two albuns or MÖTLEY CRÜE up to "Shout At The Devil" era. You can guess that the groups that "went far" are those whom dropped the satanic, dark, pentagram, and blood imagery in order to persue are more traditional outfits and lyrics, and you are right. Althrought there were Dark Glam bands all over the world, that genre only lasted for good in Japan, where it were embraced by the masses and continue do devolve, being known as VISUAL KEI since the 1990's.

In the new millenium, Dark Glam, sorry about the joke, came out once again from the Darkness of oblivion to the spotlights of the underground in the flesh of young groups like LIPZ, FATAL SMILE, LYNAM and others that are taking off where AXATAK, HAWK, THUNDERSTICK etc stopped. On those new generation hailing the old school one group from Los Angels, California, has come to our attention. They are known as SALEMS LOTT.

SALEMS LOTT: inflicting the masses with cosmic shredding leads of sheer, unearthly complexity.


Created in 2013 by an fantastic four group of shreddind musicians, SALEMS LOTT released, under Rêd Moon Records their self-titled EP last year. Containing two instrumental numbers and five songs from the Metal attack to Darker Hard Rock, this debut had also two videos on internet. Rock Dissidente talked to Tony F. Corpse, the drummer, who explain a lot of curiositys on SALEMS LOTT, his opnions about the current undeground scene (Dark Glam and in general), and with lotsa of black humor unmade controversial issues (like the nazi stuff) and mad some projections of the groups future. Read it below, if you not afraid of vampire looks, fireworks or blood stains on your make up!


01 . Since the band is named after the 2nd romance written by Stephen King, from 1975, and the monster on the cover of the EP reminds a lot the vampire of the movie, made by Tobe Hooper in 1979, what does scary you guys? How the horror literature is influential to your music?


Actually that is a misconception that people often make in regards to our moniker. Our name is both an homage to the heathens and disassociated people persecuted during the salem witch trials as well as those wrongly judged in the modern age. The band members are in their early 20's and when deciding upon the name weren't even aware of the Stephen King book or movie. Therein lies the youthful generation gap and separation from the old guard. No offense to our adoring older admirers or Stephen King himself.

02 . Lot of people think that Jeff and Monroe, the guitarrists, are brothers since they both have the last name Black. Is that truth? How does it make it easier have a band since half of it are relatives? Or the other half fell like second best?

Yes indeed, Monroe and Jet are blood brothers in Metal. Adjoined at the hip during birth yet separated to inflict the masses with cosmic shredding leads of sheer, unearthly complexity. The other half (that being the dynamic rythm section of Kay on bass and Tony F. Corpse on drums) are no less adequate in their stunning contributions.

03 . SALEMS LOTT is touring constantily through the USA, even suporting great and old names such as LOUDNESS and even Marty Friedman. How these oldie goldies have liked your music? The audience, most of them there for main attractions, have received you guys well?
Oh yes, we went over a storm with the kamakazie Japanese attack of Loudness and the neoclassical blitzkrieg of Marty Friedman. I think they relate to us because we offer a nostalgic factor with the overt theatrics (makeup, costumes, long spiked hair, etc ) yet we transcend the present and future due to these elements as well. Basically we do not fit anywhere but everywhere.

04 . The DARK GLAM as a musical genre got, since the 1990's, a lot of good reception in Japan, where it is called Visual Key. What groups you guys love better, the USA's like LIZZY BORDEN, W.A.S.P., WITCH etc or the nipponics as X-JAPAN, FLATBACKER, AION etc?

We are a trifle divided on opinion when in relation to the Japanese vs American debate. I strongly adore the visual kei scene (X Japan, Dead End and Aion being personal favorites) yet I steer more toward the early to mid 80's shock rock scene (early Crue, W.A.S.P., Lizzy Borden, London, Icon, Halloween, Seduce) as primary influences, whereas the other guys lean more favorably towards the Japanese scene.

05 . There seens to be a curse upon the Dark Glam metal bands. Usually, those groups in america broke up after an EP, a demo, one full record, or stop with blood, pentagarms, make up. There's a lot of examples, like MÖTLEY CRÜE that hit the big time after leaving the "Shout at The Devil" imagery. Do you guys are afraid of it? Can you imagine SALEMS LOTT as an ordinary band?

Our plan is to keep evolving but remain very theatrical and shocking. Diversity musically and visually as well as thematically and stage show/performance wise. It shall evolve to devolve and vise versa. Nothing will remain concrete but we can promise continued utilization of artistic and histrionic elements.

06 . Hopefuly, nowdays, there's a huge amount of yong groups realising that being Dark Glam is cool and trying the emulate what WRATHCHILD, E.Z.O, , HALLOWEEN and on did on the past. We are talking about yourselves, of course, and others such as LYNAM, TOXICROSE, WILDSTREET and on. How do you guys like their music? Do you keep in touch somehow?
And about the pioneers? Do you know what names like KRANK, AXATAK and others think of your music?


I am a fan of Toxic Rose. I have never personally conversed with them though. Check out Wicked from New York. In a parallel universe I view them as Angel and Salems Lott as Kiss. The whole good vs evil ploy (Angel were from heaven, Kiss from hell. The black/silver Kiss montage against the outlandish white and pure Angel ploy). Salems Lott as a whole worship Krank. Their debut album kills! We were actually considering covering one of their songs.

07 . Nowdays, there is a lot of young bands hailing from Sweeden and Finland like ROULETTE, CRASHDIET, HARDCORESUPERSTAR, VAINS OF JENNA playing an stily that in Brazil we call Sleaze Glam. What's your thouhts on that scene?

Crashdiet is good. A band i use to be in called Devil's Alley once opened for them. Insofar as that scene goes in it's entirety we are honestly not huge fans. We obsess over the more metal and crazy imaged groups.

08 . Dark Glam have apperead on cinema on some movies: HARD ROCK ZOMBIES, TRICK OR TREAT, ROCKTOBER BLOOD, ROCK'N'ROLL NIGHTMARE (Edge of Hell). What's your personal favorites? Have you considerer name the band after one of them?
Trick Or Treat is a primary influence on Salems Lott, especially the ever looming spectre of Sammi Curr. His satanic, all energy consuming royalty plays a big role in our ideology and themes. More fantastic pieces of cinema include Black Circle Boys, Metalhead and the recent metal inspired slaughterfest Deathgasm.

09 . Dark Glam is a genre almost like anything goes metal, since there bands playing from sleaze to Thrash not forgeting ballads, Heavy, Hard Rock and all. Even so, just japonese bands put a lot of genres on the same record, just as you made it on your EP. The audience have realising the X-JAPAN influence?

They are a huge influence no doubt. We shall never deny their importance either. Being multidimensional musically is very crucial to the design of Salems Lott. Our full length album is going to suprise many humans. It will be chock full of differing textures and emotions. Everything from full on thrash assaults to beautifully composed ballads to fist pumping anthems to experimental leanings. A broad range of compositional dexterity will be proudly represented.

10 . Some japonese groups, we may name ROMMEL, ROSENFELD, MEIN KAMPF, hade their image and lyrics relate to nazims. SALEMS LOTT have a song called SS, that means "Sonic Shock", and wear red belt on your arms. Have you guys been pointed as nazis?

At times, yes. But even though we are by no means racists we do believe that many of Hitler's ideas held merit. For instance eugenics or the plight of the ubermensch. Aside from those relations we do not subscribe to that frame of thought.

11 . Back in 2006, the german 80s outfit BONFIRE had awful critics with the song "Rap is Crap". SALEMS LOTT have made an campaing just as same on some concerts adversing. Does it generates an acusation of racisms on SALEMS LOTT?

Perhaps, but once again it's mostly to rifle the feathers and peabrains of those less mentally endowed.

12 . Oks, guys. This is the space for you to say any message dirty, blood and censored you what to close your 1st interview from Latin America.

Thank you soooo much Will for believing in our troop of cosmetically adorned, hair spray ozone murdering, nihilist freaks from Hardlyweird. We hope to visit your great country soon and give everyone a dose of truly shredding shock metal madness. Defy the mundane!