terça-feira, agosto 15, 2017

Roça 'n' Roll: "na ziqueira, na tosqueira, mas na Guerra é muito pior".


Martin Walkyer: o pai do Folk Metal sendo ovacionado na 19° expedição do Roça 'n' Roll. Foto: Saint Yves
RESENHA: Roça 'n' Roll - 19º Expedição (Varginha 15 a 17/06/2017).

Publicado, sem as fotos por uma falha técnica, originalmente no Whiplash em 26/07/17.
https://whiplash.net/materias/shows/266909-rocanroll.html

Era uma festa de despedida, mas terminou por comemorar a continuidade. Foi a visita de Super Sayajin pelo Rock 'n' Roll. Também foi quando o ciclo do Metal se fechou em Varginha. Com clima beirando o glacial de tão de frio, foi uma viagem pelo tempo à idade Média com direito a visita de extraterrestres. Resumindo, foi a 19 expedição do Roça 'n' Roll.




Em 1992, o OVERDOSE veio divulgar seu então recém lançado disco "Circus of Death" em Varginha. Foi a primeira vez que uma banda de fora da cidade tocou no município. Nem o ET havia pintado por lá ainda. Na ocasião ninguém imaginava que aquela cidade no Sul de Minas Gerais sediaria um dos maiores e mais antigos festivais Open Air em atividade no Brasil. Tampouco se suporia que anos depois o próprio OVERDOSE, recém-reformulado, seria headliner do festival que rendeu a Varginha o título de "Varginha Rock City".



Siga a placa da felicidade! Foto: Viviane Paiva.

Anunciado como a última edição do evento na Fazenda Estrela (a décima) por causa da construção de uma represa na região que faria a água imundar o local do festival, na semana da realização do Roça foi anunciado pelos responsáveis que a obra não afetaria as cercanias do show. Para comemorar, o Roça esse ano foi de três dias de festa. Os dois primeiros em locais roqueiros tradicionais de Varginha e o último o festival propriamente dito. Fica claro que o Roça in Roll quer ser tornar mais que somente um festival com 21 bandas tocando e na verdade quer ser um local, um point, um pico, um ponto de encontro e socialização de Headbangers. Nessa décima nona edição, além do pessoal de todo o estado de Minas Gerais, o público era formado por gente oriunda de São Paulo, Goias, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro. Vamos então tratar das atrações que fizeram a galera do Metal cortar o Brasil para participar dessa bienal de Headbangers que se tornou o Roça in Roll.



O caminho da Roça leva ao Roça. Foto: Saint Yves.

Na quinta-feira, 15/07, dentro do projeto municipal Quinta da Boa Música, rolou show da banda de Blues Rock de Monsenhor Paulo RURAL WILLYS (que já tocaram na Fazenda Estrela) e depois show com o grupo de Hard Rock progressivo BLACK FOXXER no pub Jardim Elétrico. Na sexta feira, 16/07/, no Subsolo Music Bar tocaram o cover local de Jethro Tull chamado O TAL JETHRO, seguidos pelo Thrash Metal de lenhador do MOTOSSERRA TRUCK CLUB (banda conceituada na cidade) o tributo ao Motörhead com a banda MOTÖRVADER, de Pedro Leopoldo, cidade próxima de Belo Horizonte. Esses últimos dois shows tiveram participação de Willba Dissidente (mestre de cerimonias e radialista, ex- DIVINE WARRIOR) nos vocais. Muito mais do que um show que ocorre numa fazenda longe do centro, o Roça 'n' Roll chega tomando todos os espaços de Varginha onde se faz Rock Pesado e os preenchendo.



RURAL WILLYS: Blues Rock gratuíto na Estação Ferroviária de Varginha. Foto: Saint Yves.

Falando em fazenda distante, é importante lembrar que uma das preocupações do festival é o acesso dos bangers que não vão de excursão ou não dispõe de meio próprio de locomoção. Há uma pareceria com empresa de ônibus Coutinho saindo de hora em hora (do meio-dia às 23) do centro de Varginha para o evento também voltando do evento das 18 até a finalização do mesmo. Definido pelo organizador e músico Bruno Maio como "de resistência e ideológico", o Roça se preocupa não só com o palco mas com ter coisas legais para os bangers fazer quando não gostarem da banda tocando, ou, por qualquer motivo, quiserem parar de ver show.

Conheça o trabalho do caracturista Ender da Endersenhos:
https://pt-br.facebook.com/endersenhos

Existem um monte de banheiros químicos (o que evita filas), além de uma ampla gama de comidas (pizza, caldos, canjica, lanches e o tradicional Espetinho do Pernambuco de Varginha) e bebidas, com a tradicional distribuidora varginhense Espaço Livre (cerveja, vinho quente, choconhaque, quentão e batidas).

Conheça a Associação de Pintores com com a Boca e os Pés:
http://www.apbp.com.br/associacao/

Ainda há o lojão do Roça (com merchandise do festival e das bandas que se apresentaram), loja de cd's, Consulado do Rock com camisetas e acessórios, guarda-volume, as caricaturas do artista Varginhense Ender (da Endersenhos) e também a exposição de pinturas do artista Lucas Alves, da associação de Pintores com a Boca e os Pés. Se podemos fazer uma crítica é que a parte de venda de materiais e de comida se misturam, ficando um pouco confusa. Teria sido melhor fazê-las em áreas bem dividas.



BLACK FOXXER: Hard Rock progressivo de Pouso Alegre abrindo o festival. Foto: Saint Ives.

Enfim, claro que existe toda a estrutura além da área de shows, mas são os shows, as performances ao vivo que levam o público, que os dão justificativa para vir ao evento. Então, vamos tratar deles. Antes de começar, contudo, antes é preciso explicar como funciona a dinâmica dos shows no Roça in Roll. São dois palcos principais, em que quando acaba show em começa imediatamente show no palco ao lado. Independente deles, há a Tenda Combate, responsabilidade do Programa Combate (o segmento de rádio FM mais antigo do sul de Minas Gerais dedicado ao Metal, no ar desde 2001), em que se apresentam artistas mais iniciantes. Esse ano, contudo, ficou provado que o menor tempo de estrada não fez com que as essas bandas fizessem shows menos empolgantes. É importante ressaltar que um headbanger pode assistir TODOS os shows inteiros dos palcos principais sem problemas, porém perderá momentos deles se resolver conferir o que está rolando na Tenda do Combate, que tem seu próprio tempo e não é sincronizada com o restante do festival.



Seria o IRON MAIDEN fã de TIM MAIA? Foto: Saint Yves.

Abrindo então os shows do Roça 'n' Roll tivemos o grupo local INCURSE. A proposta do Power Trio é fazer Death Metal com influências do Groove mais atual. O conjunto formado por músicos que fazem cover de SYSTEM OF A DOWN e SEPULTURA está divulgando seu material autoral, o EP de estréia "Hatred Nation", e, sendo a primeira banda, é aquela que toca que quando nem todo mundo chegou, ou quer ficar fora conversando; mas ainda assim, um trabalho promissor.



INCURSE: começando a carreira e também iniciando os trabalhos no Roça. Foto: Rognelson Dutra.

Terminou o som mais moderno, veio o Thrash, Crossover, HxCx do SURRA, e fazendo um trocadilho com o músicas da banda, uma verdadeira bica na cara do capitalismo em posições obscenas! Grupo antifa formado em 2012, o também power trio divulga o disco "Tamo na Merda" e fez um show enérgico e cheio de protestos, surpreendendo muitos dos presentes pela agressividade, vivacidade e atualidade das composições. Momento marcante no fim do show, quando duas garotas de Santa Catarina ficaram gritando #ForaTemer e o guitarrista Leoo respondeu #MorraTemer. Realmente, a aprovação do presidente golpista da república só faz cair!



SURRA: espancando o capitalismo e pedindo a renúncia de Michael Temer. Foto: Rognelson Dutra.

Foi durante o SURRA que começaram os shows da Tenda Combate. A primeira banda a se apresentar foi o CREMETÓRIO. Formado em 2015 na cidade de Divinópolis, esse grupo de Blackened Thrash Metal, assim como o IMMINENT DOOM do RJ, tem letras em português e som underground que unem o Thrash ao Black Metal. O grupo tocou com o background do UNTIL THE END ao fundo, e como as duas bandas tem vocalistas mulheres com voz gutural e praticam metal extremo, ainda que gêneros diferentes, houve quem confundisse as duas bandas. Entrementes, o CREMATÓRIO está divulgando sua primeira demo "Incineração Bestial", com destaque para a faixa "Headbangers de Satã".



CREMATÓRIO: a faceta profana de Divinópolis. Foto: Rognelson Dutra.

Seguindo a pancadaria bruta e ininterrupta, vem outra banda de Thrash x Crossover nos palcos principais, o LOBOTOMIA. Também uma das bandas mais antigas no cast, desde 1984, o LOBOTOMIA divulga o full lenght "Desastre", lançado em 2016 e protagonizaram uma cena anedótica no festival. Parte do platéia ficou gritando "Max Cavalera" para o vocalista Edu Vudoo supondo uma semelhança deste com o frontman das bandas SEPULTURA e SOULFLY.



LOBOTOMIA: esse homem se parece com Max Cavalera? Foto: Rognelson Dutra.

Mais som infernal e bestial nos palcos do Roça in Roll. Ai veio o SCOURGE na terra onde o uder substituiu o taxi, Uberlândia, no triangulo mineiro. Ainda que só tenha lançado seu debut em 2010, o SCOURGE faz o Death Metal calcado no fim dos anos 80 e começo dos 90, que o power trio denomina como sendo Hate Metal. Ainda que esteja sem lançar discos desde 2013 o som do grupo agradou os guerreiros do metal negro que já estavam no festival.



SCROUGE: representando as hordas do metal negro! Foto: Rognelson Dutra.

No meio do show bruto do SCOURGE começou o Heavy Metal à la IRON MAIDEN, um pouco mais moderno, do APPLE SIN. Apresentados por Willba Dissidente, que faz participação especial no Programa Combate e à partir dai fez o Cerimonialismo na Tenda Combate, os quinteto de Barroso, MG, o quinteto fez seu show com participação especial do tecladista Philipe, para dar um clima, mas quem chama mesmo a atenção é o vocalista Patric com seu timbre incrivelmente semelhante ao de Bruce Dickinson! Muitas das pessoas que viam o Death Metal no palco principal vieram para a tenda, pois, para o gosto deles, "aqui está muito melhor". Os temas foram todos do disco auto-intitulado (que inclui regravações do EP) e agradaram muito. O APPLE SIN foi a primeira banda tradicional a se apresentar no Roça de 2017.




APPLE SIN: um show impecável para os fãs de Heavy Metal tradicional! Foto: Rognelson Dutra.

Enquanto a tenda era preparada para o próximo show, cai a noit e sobe ao palco principal o ANEUROSE. Com seu Thrash Metal Groove, ou pula-pula, o grupo de Lavras e Varginha, que inclusive já fez tour pela Europa, atacou principalmente composições do seu segundo disco "Juggernaut", com algumas do anterior "From Hell". Com muita influência de LAMB OF GOD, sobressai-se o trampo de Kiko Ciociola, ex- EXPULSER, arrasando na bateria, além do virtuoso Tchurtis, ex- TRAY OF GIFT e MOTOSSERRA TRUCK CLUB, nas guitarras. Destaque do show por conta da música "To Lemmy", uma justa homenagem ao músico que após ser chutado HAWKWIND formou o MOTÖRHEAD.



ANEUROSE: os gringos europeus aprovaram e no Roça não foi diferente. Foto: Rognelson Dutra.

Metal extremo dominando as primeiras horas do festival, pois chega à Tenda o grupo de Itaúna UNTIL THE END. Divulgando sua primeira demo "The Story Begins", de 2016, o quarteto que tem Bete Monteiro de frontwoman detonou no seu som groove técnico e coeso com longas passagens instrumentais, até com nuances progressivas, mas sem se esquecer da essência do Death / Thrash Metal. Um dos destaques do festival indubitavelmente. Há muitos músicos tocam com guitarras de sete e baixo de cinco cordas, mas pouco que realmente usam e esmiúçam toda a capacidade e possibilidade que a corda à mais dá aos instrumentos, como Wendel e Sérgio. A bateria de John Martins não fica atrás, sendo super criativa em preencher os espaços vazios do som; assim como os vocais guturais de Beto alcançam das notas mais graves às agudas; facetas e nuances essas que não ficaram tão perceptivos no único registro do grupo que é uma demo de duas músicas. Para terminar de arrebatar o público ainda incluiram bem sacados covers de METALLICA (Crepping Death) e SEPULTURA ("Arise" e "Troops of Doom").



UNTIL THE END: na Tenda Combate, um dos destaques de todo o festival. Foto: Rognelson Dutra.

Ainda que sejam de Poços de Caldas, o sexteto LOTHLÖRYEN já bem conhecido de Varginha, com diversos shows pela cidade do ET, Roça in Roll inclusive. Ainda assim, a galera curtiu o Folk Metal também Power Melódico praticado pelo conjunto, que fizeram um set sem cair na mesmice; indo desde o aclamado "Of Bards and Madmen" até o mais recente "Principles of a Past Tomorrow". Com muita influência da mitologia de JRR Tolkien, os temas mais aclamados foram aqueles que remetiam ao mundo imaginário do autor inglês professor de Michael Moorcock, como "Hobbits' Song".



LOTHLÖRYEN: Tolkien odiava rock'n'roll, mas o hobbits são Heavy Metal! Foto: Rognelson Dutra.

O grupo HEREGE, que tocaria na tenda, cancelou sua apresentação, pois o baixista Marcelo teve um inesperado compromisso profissional. Inoportunos fortuitos também geraram cancelamentos das bandas VALVERA e VENERAL SICKNESS, que tocariam nos palcos principais. Eram, agora, seis horas da tarde e ainda haveriam outras doze horas de festival. Porém, antes de tratar dos shows, vamos abordar os espaço que o Roça proporciona para a socialização do público. Além dos stands e exposições já citados o ORDO DRACONIS BELLI esteve presente com quinze membros caracterizados como cidadãos dos séculos VIII a XVI. Além de duas encenações de combate medievais com cinco ou seis batalhas cada, o grupo trouxe uma réplica de forja medieval para o evento. Esse equipamento só pode ser montado em espaço abertos, por conter um bujão de gás, reproduzindo o trabalho de um ferreiro medieval em tempo real; foi feita uma ponta de lança durante o evento (o trabalho é árduo e demorado). Além disso, os roçers puderam comprar vestidos, mantos, orelhas de elfo, pingentes de prata de inspiração medieval, e é claro, o produto mais vendido da noite: o hidromel! O grupo ainda trouxe uma arquearia com instrutor e um valor baixo para quem desejasse brincar de soltar flechas de verdade em alvos de prática.



Instrutor de arquearia ensinando aluna a lidar com típico arco da Idade das Trevas! Foto: Saint Yves.

Conheça mais o Ordo Draconis Belli.
http://www.ordodraconisbelli.com/

Foi a segunda participação do ORDO DRACONIS BELLI no festival, que se apresenta, principalmente, em eventos ligados à cultura Medieval e Nórdica, ou de Folk Metal, mas também aceita convites para o levar a cultura européia de Idade Média para solenidades do mundo Metal e Rock em geral.



Encenação de um violento combate medieval! Foto: Rognelson Dutra.

Voltando aos shows no Roça, a próxima banda a se apresentar foi o PROJECT 46. "Tacando o foda-se nessa porra", o deth core dos paulistas é bem popular entre o público jovem, que garantiu com sua juvelinidade as interações mais intensas entre palco e platéia do festival. Divulgando o disco "Que seja feita a nossa vontade" o único ponto ruim da apresentação, a terceira na cidade, foi uma demorada passagem de som que teve de ser feita às pressas após o show do LOTHLÖRYEN; sendo que no Roça quando uma banda toca, a outra passa o som para os shows não pararem. Sobrou para o mestre de cerimônias Ivanei Salgado (também radialista no Programa Combate) falar e falar e usar toda sua lábia e um pouco mais nos vinte minutos de atraso. Calejado e experiente de outras edições, o cerimonialista, com seu bom humor e piadas de cunho sexual tirou de letra a tarefa. Após a apresentação a banda atendeu os fãs para fotos e autógrafos.



PROJECT 46: compensando o atraso com muitos sopapos nas zorebas! Foto: Rognelson Dutra.

Chegado o momento de subir no palco a banda de casa, o show do TUATHA DE DANANN foi antecedido por um drone que sobrevoou a fazendo e chegou  a descer à coisa de cinco metros do público. Impossíveis de se evitar comentários sobre a volta do ET de Varginha, nesse que foi o primeiro show do quinteto sem o guitarrista - vocalista Rodrigo Berne, sendo substituído por Júlio Cesar (que já havia segurado esse posto anteriormente). Abrindo com "Dance Of The Little Ones", um inicio inusitado, o set list
o membro original do Tuatha e organizador do Roça 'n' Roll Bruno Maia definiu o festival como "de resistência e ideológico". Ainda que só NÃO tenha tocado em duas edições do evento, o conjunto foi bem ovacionado e nem um problema técnico no som do baixo no começo da apresentação atrapalhou.



TUATHA DE DANNAN: a banda da casa mantém intacta sua reputação. Foto: Rognelson Dutra.

Após o encerramento do Tuatha, veio o primeiro headliner da noite e único artista gringo a se apresentar na décima nova edição: MARTIN WALKYIER. Consagrado como o pai do Folk Metal, o TUATHA DE DANANN foi banda de apoio do inglês que ainda teve adições do guitarrista Churchis, do ANEUROSE, e da guitarrista inglesa Jacqui Taylor. Esquecendo-se o SABBAT, o set list do show foi quase todo composto pelos números mais preciosos do SKYCLAD e também do projeto paralelo do músico que tocou maquiado e caracterizado chamado THE CLAN DESTINED. Após o tradicional encerramento com o cover de "Emerald", do THIN LIZZY, o cantor de cabelos cacheados loiros surpreendeu os presentes puxando um coro de #ForaTemer.


MARTIN WALKYIER: o cachaceiro inglês fez bonito em sua terceira participação no Roça. Foto: Rognelson Dutra.

O ET não voltou a Varginha, mas quem esteve de volta foi a primeira banda de Metal a tocar na cidade, o OVERDOSE! Recentemente reformulado, o quinteto que iniciou o Heavy Metal em Minas Gerais foi apresentado por Willba Dissidente que enfatizou que se tratava da "melhor banda de Metal do século XX, no estilo que eles quisessem ser". E realmente quem esperava clássicos dos discos "You're Really Big" e "Addicted to Reality" se decepcionou, pois a banda está focada em tocar seus sons mais pesados, nitidamente como se estivesse na tour do seu último registro de estúdio "Scars", de 1996, com enfase também no anterior "Progress of Decadence", de 1994. Carismático, performático e bem humorado, o vocalista Pedro Bozo brincou sobre os problemas que se passavam com o amplificador do guitarrista original Claudio David: "é na ziqueira, na tosqueira, mas na guerra é muito pior". Um outro momento anedótico do show foi quando um grupo na grade do show começou a gritar "Hey, SEPULTURA, vai tomar no c*", e o vocalista ficou fazendo caretas dando a entender que concordava. Em se tratando de música, os fãs mais novos, ou que não conhecem a discografia do OVERDOSE parecem aprovar mais músicas como "Street Law", "Favela", e ficam meio que sem entender a mudança de estilo nos clássicos "Última Estrela" e "Anjos do Apocalipse". Em a "Última Estrela", Bozo fez sua última zueira alterando a letra da canção para "abro a cueca e vejo meu pau crescer". Saíram ovacionados do palco.



OVERDOSE: o tão aguardando retorno foi um dos shows mais esperados e celebrados desse ano. Foto: Rognelson Dutra.

MARTIN WALKYIER não foi o único artista que subiu maquiado no palco no Roça, pois também tivemos o power-trio do MIASTHÊNIA. Vindos de Brasília e na ativa desde 1994, o conjunto tem como temas líricos as sociedades indígenas americanas antes da chegada dos invasores europeus. Em tempos em que "todos querem ser vikings", tal mudança de tema lírico foi muito bem vinda; além de ser bem inusitada no Metal Extremo; tão devoto dos Nórdicos. O seu som de é intitulado Extreme Pagan Metal com Thormianak nos teclados e voz gutural, guitarra e bateria; e ainda que seja uma variante do Black Metal realmente um baixo fez toda falta na apresentação do trio. Como eles fazem poucos shows, poderiam ser mais cuidadosos com isso, ainda mais porque os discos de estúdio tem baixo.



MIASTHÊNIA: una inovadora e interessante proposta lírica que ficou comprometido pelo instrumental não ter som de baixo. Foto: Rognelson Dutra.

Após mais uma inusitada demora de passagem de som (problemas na bateria), chega o outro headliner do evento, ANDRÉ MATOS, sendo apresentado por Ivanei como uma das vozes mais belas do Heavy Metal, foi executado na integra o disco "Holy Land" do ANGRA, de 1996. O problema de se fazer um show conceitual assim dentro de um festival é que quem não gosta do disco em questão aproveita nada da apresentação. Sejamos sinceros, ainda que, por exemplo "Nothing to Say" e "Carolina IV" seja bem aceitas, nem todos são fãs de "Silent and Distance" e às vezes curtiriam mais agitar uma outra música do ANGRA, VIPER ou da vasta carreira do cantor. Em um show individual pressupõe-se que quem vai seja fã só do artista e vai pirar com "Z.I.T.O." ao vivo, mas num festival tão variado quanto o Roça, Matos acabou por agradar só seus fãs mais árduos e não a platéia em geral. Claro que os músicos, em especial o guitarrista Hugo Mariuti, foram irretocáveis na execução dos intrincados temas, mas ficou óbvio que a música que mais agradou foi o fechamento com a intro "Unfinished Allegro" e a clássica "Carry On".



ANDRÉ MATOS: celebrando duas décadas de "Holy Land" no Roça. Foto: Rognelson Dutra.

Em meio a muito frio, muito frio mesmo, eis que, meio que sem ninguém esperar, veio o show mais animado do Roça esse ano: SUPLA!
Após uma introdução meio techo e uns samples, o velho Punk subiu no palco carregado de energia e carisma. Sabendo que poucos dos presentes realmente conhecem seus discos, o músico colocou na apresentação versões de DAVID BOWIE, BILLY IDOL, THE RAMONES, THE BEATLES e JOHN LENNON. De autorais, SUPLA focou o show nas mais famosas, como "Japa Girl", "Garota de Berlin", "Motocicleta Endiabrada". O músico paulista também protestou contra as futilidades na administração municipal de sua cidade feitas pelo atual prefeito João Dória, arrancando muitos aplausos e até gritos de #ForaTemer. Colocando mensagens como "você é dono de seus próprios atos, você responde por você", SUPLA desceu do palco, subiu na grade e depois cantou no meio do próprio público levando a galera ao delírio. Durante todo o show o cantor, que foi muitas vezes chamado de Super Saiyajin e Vegeta, o mesmo disse que fumaria um baseado com a platéia. Tão logo se despediu, ele realmente saiu da área restrita com um cigarro de maconha e atendeu os fãs para fotos e autógrafos demonstrando uma humildade pouco comum, infelizmente, para artistas nacionais com mais de 3 décadas de carreira.



SUPLA: "aê, Papito, eu tô aqui no Roça curtindo com a galera". Foto: Rognelson Dutra.

Findaram-se as atrações principais e não os shows interessantes na Décima Nova Expedição do Roça in Roll. Chega o projeto do baterista Heleno Vale. O grupo SOULSPELL toca metal melódico em formato de ópera, discos conceituais e canções relacionadas entre si. Em estúdio o os instrumentos são gravados por diversos músicos. No show eles tem a formação fixa de baixo, guitarras e teclados com os vocalistas sendo trocados a cada música: são homens e mulheres das mais variadas idades e timbres; em uma mesma música chegaram a ter seis cantores diferentes. O projeto é ousado e dinâmico e em momento algum soou chato ou enjoativo.



SOULSPELL: a banda que mais integrantes já pôs num palco co Roça 'n' Roll. Foto: Rognelson Dutra.

Banda mais antiga se apresentando no Roça 'n' Roll, veio o SALÁRIO MÍNIMO dando o máximo de si. Pela segunda vez no Roça, a banda segue se reerguendo após uma declaração destemperada "feita sem pensar" do vocalista China Lee em 2014, que deu uma abalada na carreira do quinteto. Quinteto? Não, agora o SALÁRIO MÍNIMO é um sexteto com a inclusão do soberbo guitarrista Roger Vilaplana, veterano da banda NOSTRADAMUS e que já havia tocado para o público varginhense enquanto membro do CENTURIAS. O grupo atacou seus clássicos dos discos "SP Metal" e "Beijo Fatal", agora mais encorpados com as três guitarras sobre o cozinha de baixo e bateria e a voz de China. Também marcaram presente no set-list canções do disco "Simplemente Rock" e o novo tema "Fatos reais". Heavy Metal tradicional bem representado no festival.



SALÁRIO MÍNIMO: estreando formação de IRON MAIDEN brasileiro no Roça. Foto: Rognelson Dutra.

O grito de despedida do Roça esse ano não foi um berro, mas um urro rasgado e desgraçado do vocalista Rafael Lourenço e seu quarteto chamado NEW DEMOCRACY. Praticantes da variante groove Thrash Metal com afinação mais baixa, a banda varginhense já tem uma demo e um ep lançado; além de já terem se apresentado no festival em anos anteriores. Seu set-list foi baseado no próximo disco (ainda sem nome definido), já com um single "Zumbi" on-line. Banda promissora da cidade que fez apresentação sagaz que despediu muito bem os sobreviventes cuja pinga evitou congelar e as paulerias nos ouvidos perpetradas pela NEW DEMOCRACY impediram do sono vencer. O único ponto ruim do show, e que não foi culpa da banda, foram os técnicos de som terem desligado os PA's deixando só o som de backline (com a desculpa de que tinha pouca gente assistindo). Ainda assim, meio que "som de radinho de bicicletária" o NEW DEMOCRACY  não se intimidou, e nem os headbangers assistindo desanimaram, abrindo as últimas rodas do evento depois da cinco da madrugada!



NEW DEMOCRACY: pedindo patrocínio da Vinícola Mioranza no fechamento do 19° Roça in Roll. Foto: Rognelson Dutra.

Um espaço de convivência e vivência para os headbangers de todo o Brasil. Essa é a proposta do Roça in Roll e foi isso que o público estimado em 2 mil pessoas pode presenciar nesse ano de 2017. Bandas para quem quer curtir os shows e diversões diversas para quem procurar aproveitar com (e fazer novos) os amigos em meio à natureza. É um evento único no Brasil, lembrando até os festivais europeus, mas com o jeitin' único mineiro de moer, garrâ e arrancâ fubá de couro e metal. Esse ano tiveram protestos discretos no festival, mostrando que o Metal não é alienado ao mundo que o cerca, mas que divide essa consciência com o imaginário medieval e mítico com o subconsciente coletivo que forma os mitos desse gênero musical e também as lendas locais de Varginha. "É na Fazenda Estrela que o Bixo vai pegâ", diz o hino do evento, e continuará pegando no mesmo lugar. Venha conhecer esse evento, cabrón, we want it you to rock, venha pro Roça 2018!



Galera fazendo fogueira enquanto o bixo pegava no palco. Foto: Saint Ives.

Sites relacionados (em português):

http://www.rocainroll.com/
http://www.facebook.com/FestivalRocaNRoll
http://www.youtube.com/RocaNRollFestival
http://www.twitter.com/rocainroll

segunda-feira, agosto 14, 2017

Segunda Guerra Mundial: como o Metal viu o pior da Humanidade.

As diversas abordagens da segunda guerra mundial, que durou de da invasão da Polônia pelos nazistas em setembro de 1939 a rendição do Japão em setembro de 1945, por grupos de Hard, Heavy, Thrash, Speed Metal foi o tema do décimo primeiro episódio do ROCK DISSIDENTE dentro do PROGRAMA COMBATE.

A gravação foi disponibilizada no link abaixo:



O programa focou mais nos desrespeitos aos direitos humanos perpetrados durante o conflito do que as batalhas em sí; entre eles, o PIOR ATENTADO TERRORISTA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE. ou, como os EUA explodiram duas cidades inteiras habitadas por civis como recado ao Japão que eles deveriam se render ou o país inteiro teria o mesmo destino.



No ar desde 2001, o Programa Combate é transmitido pela rádio Melodia FM, 102,3 desde Varginha para mais de cinquenta municípios do Sul de Minas Gerais, sendo o mais antigo periódico radiofônico voltado ao Heavy Metal da região. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.



O mesmo pode ser ouvido, ao vivo, de qualquer ponto do universo conhecido pelo link http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/ e depois as gravações do Rock Dissidente são disponibilizadas no youtube.

- BANDAS QUE FAZEM APOLOGIA AO NAZISMO NÃO FORAM TOCADAS OU SEQUER CITADAS -
NAZISMO É CRIME!



Canal Rock Dissidente no Programa Combate:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Apresentação: Willba Dissidente.
Produção e filmagem: André "Detonator" Biscaro.

Sites relacionados:

https://www.facebook.com/Rock-Dissidente-750197101819997/
https://www.facebook.com/combatefm/
http://rockdissidente.blogspot.com.br/
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NAZISMO E FASCISMO NUNCA MAIS!

segunda-feira, agosto 07, 2017

As bandas esquecidas de músicos famosos do Metal Nacional.


Assim como ADRIAN SMITH do IRON MAIDEN começou sua carreira na pouco expressiva banda URCHIN, há alguns músicos do Metal Nacional que tiveram passagens por bandas excelentes, que infelizmente, não ficaram conhecidas. Essas pérolas até então ignoradas do grande público foram o tema da décima edição do ROCK DISSIDENTE dentro do PROGRAMA COMBATE.

A gravação foi disponibilizada no link abaixo:




O foco do programa foram os músicos Vinny Bonotto, Kiko Loureiro, Ricardo Confessori e Eduardo Ardanuy, que ficaram famosos em carreira solo, ANGRA e DR. SIN, respectivamente.



No ar desde 2001, o Programa Combate é transmitido pela rádio Melodia FM, 102,3 desde Varginha para mais de cinquenta municípios do Sul de Minas Gerais, sendo o mais antigo periódico radiofônico voltado ao Heavy Metal da região. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.



O mesmo pode ser ouvido, ao vivo, de qualquer ponto do universo conhecido pelo link http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/ e depois as gravações do Rock Dissidente são disponibilizadas no youtube.



Canal Rock Dissidente no 
Programa Combate:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Apresentação: Willba Dissidente.
Produção e filmagem: André "Detonator" Biscaro.

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segunda-feira, julho 31, 2017

Liberte-se da escravidão mental: o Reggae 'n' Roll pesado.

Você sabia que o disco mais Heavy Metal da História, "British Steel" do JUDAS PRIEST tem um reggae no meio? Seria um Heavy Reggae como fizeram os cariocas do X-RATED, ou um Reggae 'n' Roll , como os do NAZARETH, ou ainda um Hard Reggae como o registrado pelo SCORPIONS? Grupos de Rock pesado que gravaram Reggae, ou músicas inspiradas no ritmo jamaicano, foram o assunto da nona edição do Canal Rock Dissidente no Programa Combate, sendo exibida em 30/07/2017.

A gravação foi disponibilizada no link abaixo:



No ar desde 2001, o Programa Combate é transmitido pela rádio Melodia FM, 102,3 desde Varginha para mais de cinquenta municípios do Sul de Minas Gerais, sendo o mais antigo periódico radiofônico voltado ao Heavy Metal da região. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.



O mesmo pode ser ouvido, ao vivo, de qualquer ponto do universo conhecido pelo link http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/ e depois as gravações do Rock Dissidente são disponibilizadas no youtube.



O assunto já havia sido abordado antes no Rock Dissidente em um artigo de 2013:

http://rockdissidente.blogspot.com.br/2013/12/grandes-nomes-do-rock-pesado-que.html

Canal Rock Dissidente no 
Programa Combate:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Apresentação: Willba Dissidente.
Produção e filmagem: André "Detonator" Biscaro.
Técnico de som: Adilson.

Sites relacionados:
https://www.facebook.com/wilson.dissidente
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terça-feira, julho 25, 2017

Censura: a contribuição da Ditadura Militar para o Metal pesado brasileiro.

Você sabia que o primeiro disco de Heavy Metal lançado no Brasil foi obrigado pelo Governo de Exceção a mudar as letras de diversas de suas músicas para poder ser lançado? O assunto da censura ao Hard Rock, Heavy Metal e Punk Rock durante os anos de atividade DCDP (Departamente de Censura às Diversões Públicas), um filhote do AI-5 (1968), foi assunto da oitava edição do Canal Rock Dissidente no Programa Combate, sendo exibida em 23/07/2017.

A gravação foi disponibilizada no link abaixo:



No ar desde 2001, o Programa Combate é transmitido pela rádio Melodia FM, 102,3 desde Varginha para mais de cinquenta municípios do Sul de Minas Gerais, sendo o mais antigo periódico radiofônico voltado ao Heavy Metal da região. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.

O mesmo pode ser ouvido, ao vivo, de qualquer ponto do universo conhecido pelo link http://www.radiosaovivo.net/melodia-varginha/ e depois as gravações do Rock Dissidente são disponibilizadas no youtube.



Durante a edição que focada na falta de liberdade de expressão de 1972 a 1988 foram transmitidas músicas PROIBIDAS pela ditadura militar e também apresentado um levantamento do artistas nacionais de Rock Pesado cuja obra foi prejudicada pelo governo golpista. Entre os quais constam: STREES, AZUL LIMÃO, MX, HERVA DOCE, ROBERTINHO DE RECIFE, INOCENTES, PLEBE RUDE, MADE IN BRAZIL, GAROTOS DA RUA, SERGUEI e CAPITAL INICIAL.



Canal Rock Dissidente no Programa Combate:

Apresentação e técnica: Ivanei Salgado.
Apresentação: Willba Dissidente.
Produção e filmagem: André "Detonator" Biscaro.
Técnico de som: Adilson.

Sites relacionados:

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quarta-feira, junho 07, 2017

Antes do New Metal: artistas de Rock / Metal que gravaram Rap.

Foi em 11 agosto de 1973 que Kool Herc, um DJ jamaicano radicado em Nova York, introduziu o RAP nos Estados Unidos da América; posteriormente o divulgando para o mundo. Palavra que é uma gíria inglesa para "conversar" o RAP é definido por um dialogo, um discurso, que o MC (mestre de cerimônias) faz sobre uma batida de bateria com baixo. Originalmente das festas jamaicanas dos anos sessenta, o RAP surge com críticas políticas de esquerda contando da vida das pessoas da periferia. Ganhando cada vez mais espaço na mídia, o RAP foi aumentando de popularidade, e seu estilo "fácil de copiar" começou a ser assimilado pelo Rock ainda na primeira metade dos anos 1980.




À principio, o RAP chega no Rock já sem as críticas sociais ou apresentando as condições de vida das pessoas na periferia, totalmente fora da cultura Hip Hop. Ele aparece "em sua forma pura, leve, inofensiva" só como um discurso rimado sobre uma base musical; que aqui, além do baixo e da bateria, inclui a guitarra. O ANTHRAX foi o pioneiro a incluir um DJ fazendo os sons de um disco indo e voltando, com um cover do PUBLIC ENEMY em 1991. Esse foi um estopim para que em 1992 o KORN apresentasse o Nu Metal, que junta todas as características anteriores com afinação mais baixa dos instrumento de corda, inexistência ou poucos solos de guitarra e ritmos quebrados baseados no Groove Metal do PANTERA / SEPULTURA. Nesse mesmo ano o BODY COUNT lança seu primeiro álbum, e até onde entendemos, o primeiro disco de Thrash Metal com Rap em todas as faixas. Começa o festival OzzFest e a mídia, a MTV e as grandes gravadoras, à partir de 1998, já trocam o Grunge por bandas como SYSTEM OF A DOWN ,GODSMACK, LIMP BIZKIT etc.



Quando os tubarões das grandes corporações abocanham esse filão musical e começam a impor que a essa é a "nova ordem" a originalidade e a qualidade caem por terra. Nesse contexto surge também o RAGE AGANIST THE MACHINE, usando muito elementos do RAP e mantendo as críticas sociais de esquerda, mas sem ser exatamente New Metal; mas já muito diferente do Heavy Hard para entrar na nossa listagem. Vamos recordar então como começou a inserção do RAP ao Hard Rock e ao Heavy Metal.  Essa dissidência, apresentada exclusivamente pelo Rock Dissidente, visa os croosovers,  quando rockers fizeram Rap. Boa viagem!

01 . MANOWAR (1984) "All Man Play on Ten".



Difícil de acreditar que a banda que mais louva o Metal, o verdadeiro Metal, não misturado, que posteriormente faria músicas para Thor e outras mitologias nórdicas, que dedicou disco em homenagem a Inglaterra, nada mais distante que a oprimida juventude jamaicana, seja a PRIMEIRA a juntar o Rap com o Heavy Metal!

A música foi lançada em 1984, no disco "Sign of The Hammer". Ainda lançada como single, junto com "Mountains", a música desapareceu dos shows e demais registros da quarteto.

02 . AEROSMITH & RUN D.M.C. (1986) "Walk This Way".



A parceria que abriu caminho para crossovers entre Rock e Rap, além de mostrar ao público que a junção podia vender muito, foi tramada pelo produtor Rick Rubin. O AEROSMITH estava decadente, enquanto o RUN DMC se tornava o maior grupo de Rap estadunidense como seu segundo disco "King of the Rock", de 1985.

Joey Perry já conhecia o RUN DMC pois seu filho era fã da banda e ficou entusiasmado com o convite do produtor de fazer um remake  do sétimo single do AEROSMITH, lançado originalmente em 1975. Já os rappers não gostaram nada dessa ideia e protestaram veementemente contra ela. Não a queriam no seu próximo disco ou como single. Todavia, as novas letras e a mudanças pequenas no ritmo, junto com o video clipe da MTV, provaram ser uma das mais bem sucedidas decisões da indústria fonográfica, com a música chegando ao quarto lugar das paradas de sucesso naquele verão de 1986; ainda com a desconfiança do RUN DMC.

03 . JOAN JETT (1986) "Black Leather".



Atriz, feminista e vegetariana, a rocker JOAN JETT também foi a primeira mulher a misturar Rock pesado com Rap. Tal amalgama se deu em no seu quinto disco pós- THE RUNNAWAYS chamado "Good Music". O Rap de Jett fala da mulher se vestir como ela bem entender; que no caso é de Couro Preto.

04 . KING KOBRA (1986) "Home Street Home".



Após o sucesso do AEROSMITH, vieram alguns oportunismos. Alguns deles, difíceis de compreender. É o caso do segundo disco do King Kobra; de Hard 'n' Heavy vigoroso para um LP de A.O.R. com uns Hards mais pesados no final e esse Rap, cuja participação especial é sequer citada no encarte do disco. Desnecessário dizer, esse é o som que o próprio grupo mais menosprezou em sua carreira.

05 . ANTHRAX (1987) "I'm The Man".



Após o S.O.D., sempre buscando inovar, Scott Ian e Charlie Benante resolveram compor um RAP contando a história do ANTHRAX. Isso alegrou a galera do PUBLIC ENEMY, e, indo na maré contrária do que aconteceu com o AEROSMITH (em que o próprio RUN D.M.C. foi contra a inclusão do RAP no disco), o rappers do PUBLIC ENEMY já haviam notado que o guitarrista Scott Ian usava um boné com o logo da banda deles e resolveu homenagear o ANTHRAX os citando na canção "Bring The Noise", lançada em 1987. Quatro anos depois, os dois grupos fizeram um crossover remake da canção, que fez muito sucesso.

06 . KISS (1988) "Read My Body".



Um grupo que fala de festa, amizades, desventuras e aventuras românticas. O KISS nada tinha a ver com o RAP, porém, em 1988, talvez, animado pelo sucesso do AEROSMITH, resolveram fazer o canto da canção do disco "Hot in the Shade" no estilo RAP. O som não entrou na turnê do disco, nem nas coletâneas e acabou relegado à memórias dos fãs mais fervorosos. E uma memória não muito comemorada.

07 . METAL CHURCH (1988) "Iron Man".



Em seu primeiro álbum, chamado "Swass", o rapper Anthony Ray, mais conhecido pelo nome artístico de SIR MIX-A-LOT chamou os thrashers do METAL CHURCH para fazer um rap em cima de uma cover para "Iron Man" do BLACK SABBATH. A banda gravou o instrumental com o então novo vocalista Mike Howe gritando o título da canção. Ainda que não tenha entrado no  "Bleeding is Disguise", a parceria ainda rendeu um single. Diferente de todos os outros aqui, exceto pela JOAN JETT, a letra da canção é crítica.

08 . STRAIGHT WAY (1989) "Don't Even Swerve".



Essa á a única banda de White Metal em nossa listagem. Com menos de dois minutos, essa é um rap contando a estória de Jesus. Vestindo-se de preto e branco e com nítidas influências de STRYPER, a banda texana só durou esse EP.

09 . FAITH NO MORE (1990) "Epic".



O Rap mais famoso do Rock'n'Roll / Heavy Metal foi um single do terceiro disco da banda, chamado de "The Real Thing". Essa foi a estréia do vocalista Mike Patton que vinha de uma banda que gostava de misturar todos os estilos ao tal Heavy Metal, criando um subgênero chamado  Metal Alternativo ou Funk 'o Metal. Diferente dos outros artistas citados na lista, em que o RAP apareceu como uma experiência a ser abandonada, no caso do FAITH NO MORE e da carreira solo de seu vocalista, misturar tantos estilos quando possível é o mote do som. E os anos noventa foram marcados pelas gravadoras incentivando o Rock ser misturado com outros estilos, criando um comercialismo como nunca antes imaginado!

10 . VOLKANA (1990) "War? Where my Enemy Lies".


Presença brasileira na lista. Formada em Brasília na época do FLAMMEA, a banda de Thrash Metal se mudou para São Paulo e com o baterista do VODU registrou seus discos. O primeiro deles, First, consta duas passagens de RAP em português, feitas pelos MC Thaíde e DJ Hum, na música "War? Where My Enemy Lies". A cacofônica introdução, "Scrach Noise", da caótica música imita o barulho de um disco indo e vindo. Esse é um dos sons mais bem sucedidos da VOLKANA, sendo tocado em todos os shows.

11 . DANGER DANGER (1991) "Yeah, You want it".



Uma brincadeira que encerra o segundo disco de estúdio do quinteto estadunidense de Hard Rock DANGER DANGER. A canção  também se tornou totalmente esquecível, quase nem tendo elementos de Rock, ainda mais no disco que contém um dos maiores sucessos do grupo "Beat the Bullet".

12 . TUFF (2000) "American Hair Band".




Em uma homenagem às bandas dos anos 1980, o TUFF, em 2000, gravou um Rap sob base de "Sad But True" do METALLICA; algo como o METAL CHURCH fizera 12 anos antes. "American Hair Band" foi gravada no começo da explosão do New Metal, numa época que as bandas de Metal passaram a rejeitar e hostilizar o RAP por causa da concorrência com o New Metal e, até onde nos consta, é a última canção registrada nesse estilo que não seja Nu Metal.

O Rap, quando aparece associado ao Rock, salvo raras e honrosas exceções, perde o seu lado crítico, se tornando meramente um meio estético de fácil assimilação e, doravante, muito potencial comercial. Ele se torna o HIP HOP sem a crítica, inofensivo, que pode ser tocado numa festa burguesa sem ofender o sistema; e contestar, questionar e criticar o sistema estão na gênese tanto do RAP quanto do ROCK.

Você conhece mais canções de Rock, anteriores ao New Metal, que possuem RAP? Use o espaço abaixo de comentários para deixar o seu recado; afinal, dar voz ao povo é a prioridade inicial do RAP e do Rock.

Willba agradece a Anny Tysondog  e a Marcelo Lamoglia.
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quinta-feira, junho 01, 2017

Jesse Navarro: "banger de direita transforma o movimento em lixo; mas reciclável".

"JUDAS PRIEST, AC/DC, TWISTED SISTER, MÖTLEY CRÜE e MERCYFUL FATE são exemplos que fizeram a elite conservadora arrancar os cabelos e não medir esforços para censurá-los", disse o jornalista Jesse Navarro (que foi da Abril, Band, Rede TV e hoje apresenta o canal Odyssey no Youtube) , citando uma declaração do colega Bruno Silvestre no site WikiMetal. A conclusão de Navarro é que "dentro do espírito de contestação que o Rock and Roll representa, era para o metaleiro ser, por natureza, no mínimo alguém contra o estabilshment", mas não é exatamente isso que tem acontecido.

Em artigo intitulado "Quem é mais alienado: o pobre de direita ou o metaleiro de direita?" publicado em 31/05/2017 no portal Diário do Centro do Mundo, o jornalista sustenta que "headbanger alienado de direita no Brasil transforma o movimento em lixo, mas um lixo reciclável, ou seja, o cara pode abrir a mente se entender que o gênero, em sua raiz, é um movimento de protesto contra a sociedade conservadora".


A headbanger transgênro Angela Fraça durante a marcha Anti-Fascista de SP. Foto: Jesse Navarro.

No sábado, 13 de maio, o jornalista esteve na marcha Anti-Fascista de São Paulo e notou um antagonismo quando o movimento passou em frente à Galeria do Rock. Enquanto gente em frente ao referido Templo do Metal na avenida São João dava jóias à manifestação, outros diziam ser uma pena ver Headbangers com camisetas do Che Guevara, Fidel Castro etc. Haviam muitos punks, LGBTT's e headbangers no protesto que começaram a gritar "caiam na real, o Metal não é fascista" em resposta aos frequentadores da Galeria do Rock que xingavam à marcha. Tudo tão contraditório quanto Phil Anselmo (PANTERA), Dave Mustaine (MEGADETH) e Tom Araya (SLAYER), todos de bandas de Thrash Metal, cuja origem é o Punk Rock, se dizerem conservadores.

Leia aqui o artigo original:

"Nunca se esqueçam que o rock nasceu do blues, dos negros, é som de negão. Pode existir White Metal fascista, bandas que defendem a Klu Klux Klan, mas esses caras estão viajando na maionese, usando muita droga estragada e estragando um movimento que nasceu para ser de esquerda", conclui Navarro sem dar resposta a pergunta que intitula o artigo.

Com agradecimentos a Dimitri Brandi de Abreu.